
Fui ontem à estreia do "Remix em Pessoa", espectáculo de Jô Soares em que o humorista declama textos de Fernando Pessoa. Foi muito bom e soube a pouco. O espectáculo só fica no Teatro Villaret até dia 7 de Fevereiro e vale a pena ir ver e ouvir. Deixo aqui um quadro de Almada Negreiros com Pessoa e a sua mesa para ilustrar um texto que retirei do Livro do Desassossego, sobre a alma das coisas.
O ambiente é a alma das coisas. Cada coisa tem uma expressão própria, e essa expressão vem-lhe de fora. cada coisa é a interscção de três linhas, e essas três linhas formam essa coisa: uma quantidade de matéria, o modo como interpretamos, e o ambiente em que está. Esta mesa, a que estou escrevendo, é um pedaço de madeira, é uma mesa, e é um móvel entre outros aqui neste quarto. A minha impressão desta mesa, se a quiser transcrever, terá que ser composta das noções de que ela é de madeira, de que eu chamo àquilo uma mesa e lhe atribuo certos usos e fins, e de que nela se reflectem, nela se inserem, e a trasnformam, os objectos em cuja justaposição ela tem alma externa, o que lhe está posto em cima. E a própria cor que lhe foi dada, o desbotamento dessa cor, as nódoas e os partidos que tem - tudo isso, repare-se, lhe veio de fora, e é isso que, mais que a sua essência de madeira, lhe dá a alma. E o íntimo dessa alma, que é o ser mesa, também lhe foi dado de fora, que é a personalidade. Acho, pois, que não há erro humano, nem literário, em atribuir alma às coisas que chamamos inanimadas.
Vejam o que esta miúda faz com as mãos e um punhado de areia sobre um ecran digital:
http://www.20min.ch/digital/dossier/clip
É íncrível a velocidade, a precisão, o talento, a garra, a transformação permanente e a humanidade da mensagem que ela passa. Não percam!

A fotografia não é minha nem é do concerto de ontem mas as minhas ficaram péssimas porque o concerto foi bom demais e esqueci-me da máquina no bolso.
Só no fim é que me lembrei mas já era tarde demais. Antes da banda de Kusturica houve mais dois concertos espectaculares: Gonzalez (o novo Cat Stevens) e Groundation. Muito bons.
A lua e a falésia nesta noite em que descemos à praia para
ouvir Kusturica e a sua banda. Uma dupla festa, portanto...
O fim do concerto dos Massive Attack na praia do Tonel esta
noite, em Sagres, com a lua quase cheia no alto do céu.
Muito bom.
A frase da noite? No momento em que Stéphanie subiu ao
palco para o primeiro solo, um rapaz de sotaque algarvio
gritou alto: tu és a nora que a minha mãe sempre quis ter!
A sombra das girls projectada no terreiro do Sudoeste, com
a luz que ilumina todo o espaço atrás do palco principal.
As girls com a roda gigante iluminada atrás. Muita giras!
O fim da noite, com aquela luz do backstage que faz com que
a noite pareça dia. Acabou às 4 da manhã mas valeu a pena.
Percebo o lema do Sudoeste: 4 dias que duram para sempre!
O Sudoeste foi uma festa. Tindersticks e Goldfrapp primeiro,
os Chemical Brothers depois, com uma música brutal e um
espectáculo digital absolutamente fabuloso. Uma noite única
que fica gravada para sempre. Obrigada ao Luís Montez pelos
momentos que passámos no palco a assistir aos concertos.
A proximidade com os artistas e a vibração do backstage foram
uma experiência extraordinária para todos e cada um de nós!

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