Aqui fica o 'filme' da apresentação do novo livro de Mafalda Pinto Leite. Primeiro nós próprias, que o apresentámos mais a editora, depois as pessoas que se dividiram entre o prazer de ouvir a Mafalda, de ler o que ela acaba de publicar e de provar o que se lembrou de cozinhar, e finalmente o momento em que os filhos da Mafalda chegaram. Grande fim de tarde.
A Mafalda Pinto Leite, chef de cozinha, apresentadora de um novo programa de televisão sobre culinária e gastronomia e autora do livro "Dias com Mafalda" convidou-me para apresentar o seu livro de receitas fabulosas, esta tarde no Chiado. Vai ser por volta das 18h nos jardins do palacete que foi durante anos a sede da Mundial Confiança (mesmo em frente à Brasileira). Apetece-me imenso rever a Mafalda, que conheci quando era criança e adolescente, e apresentar um livro lindo muito bem produzido pela Ana Trancoso e muito bem fotografado pelo Nuno Correia.
Os sabores da Serra da Gardunha são muitos e muito variados.
Queijos curados e por curar, mais ou menos amanteigados, as
melhores cerejas do país, enchidos e fumados feitos à maneira
antiga, como no tempo dos nossos avós, e doces caseiros com
e sem frutos secos para misturar com requeijão muito fresco ou
comer com pão cozido em forno de lenha. Tudo isto e muito mais
na Feira do Queijo da Soalheira que hoje termina e é uma mostra
completa e muito tentadora de tudo o que há de melhor por ali ...
Estive em Portalegre e Castelo Branco, dois distritos que fiquei
a conhecer melhor, embora a minha vida esteja muito marcada
por Castelo Branco, onde tive família até há poucos anos e onde
passei tempos inesquecíveis. Na Feira do Queijo da Soalheira
estive com agricultores e ouvi os representantes associativos
enunciar os desfasamentos da PAC, a Política Agrícola Comum.
Maria Palmira Gonçalves, presidente da Associação Regional
de Agricultores Biológicos da Beira Interior, a célebre ARABBI
que vive exclusivamente da quotização dos seus associados
e, por não ter qualquer apoio estatal, tem ainda mais liberdade
para falar das dores dos nossos agricultores, conta-me como
é difícil sobreviver num país onde as ajudas europeias chegam
desfasadas ou são escassas e mal comunicadas. A ARABBI
está particularmente vocacionada para o apoio legal e técnico
aos agricultores e, por isso, Maria Palmira sabe do que fala. A
burocracia legislativa é quase intransponível e ao contrário do
que acontece em Espanha, França, Itália e outros países da UE,
em Portugal as instituições só complicam o acesso aos Fundos
Estruturais. Ou seja, o Estado e o governo português são dois
complicómetros a funcionar e a potenciar mil e uma dificuldades.
A segunda edição da Feira do Queijo da Soalheira termina
hoje ao fim do dia e vale a pena percorrer as barraquinhas
de queijos, enchidos, frutas e doces que só apresentam
produtos de alta qualidade e merecem todos os certificados.
Voltando ao início deste post, retomo a ideia de um laboratório
de sabores que parece ter sido montado nesta feira e revela
tradições seculares dos queijeiros mas também dos doceiros.
Bruno Martins, que faz hoje 25 anos, trabalha com os pais na
pequena empresa de fabrico de compotas artesanais que os
dois criaram, beneficiando de uma legislação europeia muito
específica que foi transposta em 99 e permite a venda directa
dos produtores aos consumidores e é favorável à criação de
micro, pequenas e médias empresas que fabricam produtos
regionais mantendo as tradições e conhecimentos seculares.
Graças a directivas comunitárias com esta vocação é possível
perpetuar os sabores antigos e comercializar os enchidos da
avó ou as compotas e doces feitos segundo as receitas da família...
Muitos parabéns por este dia, Bruno! E pelos doces da família também.
O meu presente de anos, por assim dizer, é sublinhar aqui a qualidade
dos vossos/nossos produtos num tempo em que vale a pena apostar
nos talentos, apurar e multiplicar as técnicas que mantêm as tradições.
Nesta lógica e com este sentido, deixo aqui o link dos saboresdagardunha.
Só por publicar aqui estas imagens fiquei com água na boca.
Comi na pastelaria Costa, em Leiria, os melhores croissants
da minha vida. Fui lá com amigos que conhecem a qualidade
dos bolos feitos pelo Sr.Costa e percebi porque é que aquela
pastelaria é tão famosa. Tudo o que vemos nas montras vem
das mãos do Sr.Costa e dos seus dois ajudantes de cozinha.
Não imagino o que seja fabricar todos estes bolos todos os
dias mas garanto que mais do que a quantidade, impressiona
a qualidade de tudo o que é 'fabrico diário' na pastelaria Costa.
Perguntei se podia ir à cozinha conhecer os pasteleiros. Foi um
prazer entrar por ali e sentir aquele cheiro doce-quente de forno.
Joaquim Costa aprendeu a arte de fazer bolos em França,
quando viveu em Estrasburgo. É desta cozinha, das suas
mãos e das mãos dos 2 pasteleiros que o acompanham
que saem todos os dias todos os bolos acima expostos...
Carlos Pires e Margarida Santos fazem centenas de bolos
óptimos. Apetece prová-los todos mas confesso que comi
apenas os croissants de amêndoa por serem bons demais.
Claro que não resisti a entrevistar o Sr.Costa. Aqui fica uma
versão que termina de forma abrupa. Estava a ouvir barulhos
e achei que a gravação ia ficar mal. Repetimos a entrevista
mas a segunda versão não ficou tão natural nem tão boa e,
por isso, publico esta primeira. Nada como sermos espontâneos!
As cerejas são como as palavras? Gosto de pensar que sim.
Adoro cerejas. Quase tanto como as palavras ditas e escritas.
Nem todas. Só as melhores, as escolhidas com critério,
as que revelam as cores, os sabores e a substância da vida.
Hoje sei que há cerejas grandes no bar da praia, que maravilha!

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