Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Entrevistas que chocam e perturbam

Outra notícia aflitiva para todos foi a morte de três crianças numa casa devoluta. Meia hora seguida de telejornais a dissecarem o acontecimento no próprio dia foi brutal. Pior do que os excessos das reportagens só a entrevista feita à mãe ontem no horário nobre do Telejornal. Revelar uma mulher em toda a sua fragilidade e até na ingenuidade de quem acredita que os outros acreditam nas suas palavras é uma maldade. E é uma tentação à qual os jornalistas devem resistir. Não se pode ligar a câmara e fazer perguntas a pessoas em estado de choque ou no auge do trauma. Com mais ou menos consciência, esta mulher perdeu três filhos e é legítimo viver o seu drama à sua maneira. Não se pode explorar a dor dos outros nem tentar provar a ininputabilidade de ninguém desta maneira. Não há direito! As perguntas e o tom da reportagem ontem fizeram-me lembrar uma das entrevistas mais chocantes que vi em televisão no dia em que a ponte de Entre-os-Rios desabou e, no mesmo instante, carros e pessoas foram engolidos pelas águas. Nesse dia alguém chegou perto de um homem  que chorava a família inteira desaparecida na tragédia para lhe fazer a única pergunta que não se pode fazer: como é que se sente?

Como é que se podia sentir aquele homem, e como é que se pode sentir agora esta mulher? Sinceramente não sei o que vai na cabeça e no coração dos que se atravessam no caminho dos que sofrem para explorar o seu sofrimento! Nesta e noutras situações dolorosas e delicadas, em que as pessoas são tocadas nas suas fibras mais sensíveis, o silêncio e o respeito são sagrados. De preferência também longe das câmaras e dos focos. 

publicado por Laurinda Alves às 12:33
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
Felizmente voltou o sol a esta cidade

 

Voltou o sol e confesso que este prenúncio de Primavera me

consola. Ontem foi o primeiro dia de sol depois da sucessão

de semanas de frio e chuva triste e os raios de sol que entram

pela casa e se derramam pela madeira do chão enchem tudo 

de luz e alegria pela certeza de que este Inverno está quase a 

acabar. Não gosto nada de frio nem de chuva e os meses de

Janeiro e Fevereiro são sempre um bocado neura. Ainda por

cima aconteceram coisas tristes, morreram amigos, a minha

mãe está num processo de recuperação lento e doloroso e é

difícil assistir a tudo isto sem ficar mais down. Nestes últimos

dias fui lendo os comentários que escreveram a propósito do

post sobre o suicídio do jovem de 14 anos, com quem estive

recentemente nos Salesianos de Lisboa, e fui respondendo e

ponderando tudo o que era dito por todos os que contribuiram

para tornar este pequeno debate mais amplo e profundo. Sei

que é um tema difícil e percebi pelas partilhas que a dor dos

que passaram por perdas por suicídio nunca passa. O tempo

não cura nem apaga este sofrimento e também por ter essa

certeza volto ao assunto para reforçar o meu agradecimento a

todas e a cada uma das pessoas que expôs a sua intimidade

para contribuir positivamente para nos despertar a consciência.

Muito obrigada pela coragem e pela generosidade dos coments!

Deixo aqui mais uma imagem da luz do sol reflectida no chão e

nos espelhos da parede, para iluminar outras sombras da vida..   

 

publicado por Laurinda Alves às 11:51
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
Estas são as notícias que me derrotam

Voltei ao computador depois de uma manhã cheia e ao aprovar os comentários do blog dei com a terrível notícia de um aluno dos Salesianos que se suicidou aos 14 anos. Margarida Antunes, que não conheço pessoalmente, teve a sensibilidade e a delicadeza de me informar sobre esta trágica perda, até porque ele foi um dos 200 alunos com quem estive no colégio há muito pouco tempo. As questões que a Margarida levanta e as perguntas que se põe são exactamente as mesmas dúvidas e perplexidades que eu própria tenho. O que poderá levar um adolescente de 14 anos a pôr fim à sua vida? Não sei. Nunca saberemos. Imagino a dor dos pais e o drama da família e dos amigos... Aconteceu-me recentemente passar por uma perda semelhante e foi doloroso demais. Por um lado, porque nenhum de nós percebeu que isso podia acontecer e, por outro, porque este nosso amigo era um homem aparentemente equilibrado e razoavelmente feliz. Excelente pai, excelente filho, óptimo amigo, invulgarmente inteligente e com um sentido de humor muito fino, não era possível adivinhar o sofrimento interior em que vivia. Só percebemos depois mas foi tarde demais. Estas são as notícias que me derrotam e agora confesso que fiquei desmoralizada.

publicado por Laurinda Alves às 14:46
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008
Os pedófilos 'amigos' das crianças

(Imagem de uma campanha recente feita no Brasil

 
Há nomes que vale a pena fixar e o de João Sarmento Pereira é um deles. Neste caso pelas piores razões. Ouvi este nome no Telejornal no princípio da semana, no mesmo dia em que foram presos em Espanha 121 suspeitos de envolvimento numa das maiores redes de pornografia infantil.
 
A rede é um terrível polvo de mil tentáculos que espalha o mal pelo mundo e a própria polícia espanhola revelou que o material apreendido continha fotos e vídeos arrepiantes feitos com bebés e crianças muito pequenas.
 
A sequência de notícias relativas a abusos de menores neste dia começou com a divulgação das prisões feitas pelas autoridades espanholas e seguiu para o caso português de João Sarmento Pereira, de 21 anos, acusado de 6 crimes de abuso sexual a menores e condenado a dois anos e meio de cadeia, a quem foi concedida a liberdade a troco de tratamento psiquiátrico.
 
Por razões que ultrapassam o entendimento do comum dos mortais, este abusador de crianças retomou a sua vida normal e cumpre agora uma pena suspensa com toda a liberdade e apenas a obrigação de ir a umas consultas no psiquiatra. Acho extraordinário que assim seja e acho muito grave que este homem possa continuar a exercer a sua profissão de professor primário.
 
Para percebermos o que está em causa e avaliarmos a extensão deste fenómeno de benevolência judicial vale a pena voltar aos factos e apresentar o professor. A acreditar no que vi e ouvi na televisão e não vi desmentido depois em lado nenhum, este rapaz começou aos 18 anos a estagiar num colégio em Carcavelos onde tinha um contacto diário muito próximo com as crianças. Um contacto muito íntimo, para sermos mais exactos.
 
O rapaz ajudava as crianças a vestirem-se e despirem-se para as aulas de ginástica e fazia-se valer da sua supremacia física para abusar das crianças e as assustar ao ponto de elas não serem capazes de contar em casa o que lhes acontecia na escola. Tanto quanto percebi houve abusos mais graves e menos graves mas eu, que não sou juiz mas sou mãe, considero tão grave a ‘manipulação dos genitais’ de uma criança como a violação ou ‘tentativa de penetração’.
 
Admito que os que julgam precisem de evidências físicas de violação para condenar mas sei (todos sabemos!) que não é preciso haver consumação da violação para deixar marcas indeléveis numa criança e traumatizá-la para sempre. E este é o ponto sobre o qual assenta a minha argumentação sobre um caso que me parece eloquente de uma brandura excessiva e de uma leviandade intolerável.
 
Falo da brandura dos juízes e da leviandade de quem permite que este homem mantenha a sua carteira profissional de professor primário, podendo exercer a profissão num meio em que a proximidade física de crianças pequenas pode potenciar situações de abuso como as que ficaram provadas no passado recente.
 
Compreendo as mães e pais das crianças abusadas que foram ouvidas pelo jornalista e apareceram na televisão em contra-luz para não se ver a cara. Estou solidária com a sua indignação e a sua dor porque não se trata de uma vingança mas sim da mais elementar justiça. Como é que um rapaz que fez o que fez aos seus filhos pode estar em liberdade e continuar a ser professor primário?
 
Será que os juízes e os especialistas que os aconselham não sabem que o pior pedófilo é sempre o ‘maior amigo das crianças’? É sempre o que parece bom, que se faz amigo, que se torna confiável e depois usa todo este capital de simpatia e proximidade para actuar com frieza, premeditação e perversidade.
 
Ou será que os juízes acreditam sinceramente que o rapaz está profundamente arrependido e não vai repetir? Há estudos científicos que provam que esta compulsão para o abuso sexual de menores pode durar uma vida inteira e mesmo que neste caso haja um forte arrependimento é inquietante saber que alguém condenado por seis crimes de abuso sexual anda por aí à solta e mais tarde ou mais cedo vai voltar à escola e ao contacto com as crianças que, por definição, são o seu alvo preferencial e as potenciais vítimas.
 
Quem nos garante que este homem fica curado com um tratamento psiquiátrico? E quem se responsabiliza pelo seu acompanhamento, pela sua evolução mental e moral, e se responsabiliza por ele no futuro? É essencial fazer as perguntas porque alguém tem que ter as respostas para o deixar em liberdade permitindo-lhe continuar a ser professor primário.
 
Se insisto em deixar escrito o nome deste homem não é para o voltar a condenar pois não me compete a mim fazê-lo, mas para que mais pais e directores de escolas saibam com o que contam se lhes bater à porta um homem que sendo professor traz consigo outras credenciais.
 
Como cidadã e como mãe tenho o dever e o direito de sublinhar as minhas reservas quanto a casos destes, em que aparentemente não houve reparação dos danos nem sequer a obrigatoriedade de prestar serviço cívico na comunidade para dar de volta parte daquilo que roubou.
 
Na impossibilidade de devolver a integridade física, moral e emocional às crianças que abusou e de reparar o sofrimento que lhes provocou a elas e às suas famílias, devia existir a obrigação de cumprir uma pena cívica que o reabilitasse a ele e, ao mesmo tempo, nos desse a nós a certeza de que este homem está apostado em regenerar e em conquistar a confiança que neste momento ninguém pode ter nele até conseguir provar o contrário.
 
Repugnam-me os pedófilos e tarados cuja compulsão é repetir o crime de abuso sexual a menores. Nesta lógica confesso que defendo a castração química para alguns dos condenados por este tipo de crime. Mais do que uma medida de protecção para os nossos filhos e ainda mais do que um castigo aos abusadores é um favor que lhes fazemos pois é raro o que não volta ao local do crime mais do que uma vez.
 
Há quem ache uma medida excessiva mas assumo que, para mim, seria a medida certa. Não percebo porque é que havemos de continuar a acreditar mais na voz de um criminoso do que nas das suas vítimas. 
 
     
publicado por Laurinda Alves às 18:15
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Sábado, 22 de Novembro de 2008
Tributo aos soldados mortos em guerras e não só

 

 

Encontrei este vídeo no YouTube quando estava à procura de uma versão da música Arms of an Angel de que gosto muito e é cantada a duas vozes. Não encontrei o que queria porque só encontrei a Sarah McLaughin a solo e a Kelly Clarkson a duas vozes, mas sem ser com o Joe Sample (de quem gosto particularmente) mas 'tropecei' neste tributo aos soldados americanos mortos no Iraque. Embora seja um vídeo 'antigo' não resisto a publicá-lo aqui pois a questão infelizmente permanece actual e a visão das botas dos soldados mortos tem um impacto muito forte no sentido em que nos torna ainda mais conscientes da realidade atroz das guerras. Há imagens que marcam e nos transformam profundamente. Assim como existe um museu onde estão amontoados os sapatos dos judeus mortos pelos nazis, também a exposição das botas dos soldados americanos mortos na guerra nos interpela e obriga a pensar. Aqui ficam, com as fotografias das caras e os nomes de cada um.

 

 

Embora não tenha encontrado a versão da música que queria e é cantada por Randy Crawford e Joe Sample, duas vozes apaixonantes que adoro, deixo aqui duas outras músicas deles, uma com uma breve entrada falada de Joe Sample que dá para perceber a sua vibração e a sua alma. Digo eu, que não sou nada imparcial porque sou completamente fã de um e outro. Muito bons a cantar, a tocar e a falar como se pode ouvir neste segundo vídeo que aqui fica. Mas há mais, muito mais com eles e sobre eles no Youtube e tudo vale a pena!

 

 

publicado por Laurinda Alves às 13:16
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
Carro-bomba explodiu em Navarra

(esta imagem é de uma rua perpendicular à Clínica de Navarra) 

 

A notícia é de agora mesmo: um carro-bomba carregado com cerca de 100 kilos de explosivos, explodiu no parque de estacionamento da Universidade de Navarra, de onde acabo de voltar há dois dias. Que coisa sinistra, esta dos atentados a civis que nada têm a ver com as guerras destes guerrilheiros cobardes.

 

 

(esta imagem é de um dos edifícios centrais da Universidade de Navarra)

 

Dezassete pessoas ficaram feridas e deram entrada imediata nas urgências da Clínica de Navarra, onde muitos doentes (portugueses incluídos) estão internados. Custa perceber que estas pessoas que já sofrem penas indizíveis sejam o alvo escolhido para mais um atentado. Não há direito!
 
 

 

(esta é a imagem do Campus universitário, perto do local onde explodiu o carro-bomba)

 

publicado por Laurinda Alves às 12:57
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