Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013
O ânimo e o desânimo

 

Num ano que se anuncia particularmente difícil e exigente, cabe-nos estar atentos ao que se passa em nós e à nossa volta. Ajudar os que andam mais frágeis e desanimados é um imperativo moral, mas importa percebermos também o que nos anima e desanima para estarmos vigilantes aos nossos movimentos interiores. Comecei há quase 4 meses os EEVQ (Exercícios Espirituais da Vida Quotidiana) que duram 9 meses e são a versão alargada dos EE (Exercícios Espirituais) de uma semana de silêncio orientado, que faço todos os anos, há cerca de 20 anos. Estes Exercícios da Vida Quotidiana também são inspirados na espiritualidade inaciana e requerem um tempo diário de leituras, meditação e oração. Demorei alguns anos a apanhar balanço para dar este passo, mas agora confesso que este tempo de silêncio diário, orientado por leituras e pontos de meditação que nos são dados pelos nossos orientadores espirituais, me ajuda incrivelmente a fortalecer o espírito e a manter o ânimo, apesar das dificuldades que também atravessam a minha vida. Ninguém está imune e todos atravessamos tempos adversos. De uma maneira ou de outra todos somos tocados por esta sucessão de crises e todos estamos interpelados pelo sofrimento que elas provocam. Nesta lógica, e porque me ajuda imenso seguir a orientação inaciana destes EEVQ, deixo aqui alguns pontos de interrogação (ou de oração, para os crentes) que podem ajudar no tempo inaugural deste ano novinho em folha: a que pensamentos interiores tenho que dizer vigorosamente que não, para não deixar instalar o desânimo? E que tempo tenho para descansar, sabendo que muitas tristezas também entram pelos cansaços? E, ainda, que decisão ou atitude está na hora de mudar para recuperar o ânimo?

 

publicado por Laurinda Alves às 21:01
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12 comentários:
De Isabel Maia Jácome a 2 de Janeiro de 2013 às 23:39
Querida Laurinda
A mim, faz-me falta este espaço, onde partilha de uma forma tão pessoal, simples e humana, tantas das reflexões que a ajudam a crescer e a encontrar forças para si mesma e para ajudar os outros...
Liguei-me como sabe à XIS... foi muito importante para mim, ao longo de quase 10 anos... ajudou-me a procurar e encontrar algumas respostas em momentos difíceis, para mim e para algumas das pessoas que cruzam o meu caminho e a quem procuro ajudar também, sabe Deus, por vezes com quantas dúvidas e inseguranças.
... depois veio o seu blog, para o qual me alertou... e foi uma forma de reencontro e de proximidade que me conquistou, mas que compreendo difícil de manter.
No Facebook, tudo tem um sabor diferente, embora compreenda que se adeque mais ao ritmo que a vida hoje nos pede... tão veloz que nem consegui ir "a tempo" de, "no meu tempo", "caber" no seu infindável número de "amigos"... mas onde não perco, mesmo assim, a possibilidade e oportunidade de espreitar e ler o que posso... e que continua a dar-me direcções importantes, em muitos momentos de vida!
Mas confesso-lhe que volto aqui muitas vezes... sempre na esperança de mais um post...
...fiquei tão feliz, hoje, Laurinda, de a rever aqui!...
...É como se a sentisse de novo, talvez egoistamente mais perto... porque compreendendo perfeitamente que não pode chegar a tudo, todos e tanto... e que, o que tem feito é sempre mais, por certo, do que no meu pequeno mundo consigo, apesar do meu desejo de crescimento e, com ele, conseguir encontrar formas de ajudar mais e melhor os outros que cruzam a minha vida!...
Não posso deixar de agradecer, com um sorriso enorme, Laurinda!!!... Obrigada pelo seu esforço... pelo carinho com que regressa, mesmo que "de vez em quando", pela proximidade que permite, apesar da distância que a vida obrigatoriamente imprime.
...Obrigada por esta proximidade de ALMA que tanto nos ajuda a descobrir um pouco mais a forma de chegar à nossa e à de tantos que necessitam que cresçamos mais um pouco, para poderem crescer connosco em cadeia...
...sabendo que, "crescer", é mesmo este processo continuo de avanço e regresso, de vaivém contínuo, de descoberta da consciência de sermos imperfeitos, de não chegarmos a tudo, mesmo desejando... de mantermos, acima de tudo, a vontade inteira de continuar este caminho!
Obrigada, querida Laurinda... POR TODOS ESTES ANOS!!!!
Um beijinho comovido, aqui de Leiria...
SEMPRE,
Isabel e Pedro
De mafalda a 3 de Janeiro de 2013 às 12:01
Que bom este regresso, e que saudades eu tinha das suas partilhas, Laurinda.
Um feliz ano novo para si e para todos os que lhe são queridos. Para todos nós.
Muita paz, saúde e amor. E coragem e força de vontade para vencer as dificuldades.
abraço
mafalda

agora vou acompanhando mais no facebook por falta de tempo minha e por ser mais imediato.
De CG a 3 de Janeiro de 2013 às 12:58
Muito obrigada por estas pistas. Vão ajudar-me.
De João Paulo Machado a 3 de Janeiro de 2013 às 15:51
Laurinda, escrevo agora aqui porque, depois de ler suas palavras, me identifiquei com este apelo ao nosso espaço interior, como forma de contrariar o que de menos bom nos surge. É tão bom quando podemos ter uma espécie de diálogo com nós próprios, o que nos traz animação e impede o queixume. É que eu acho que só assim somos positivos e estamos bem connosco, conseguimos vencer o que é mau e isto vai-se embora. Por pior que a vida possa estar, é com a vontade de mudar isso e de ser positivo, que tudo tem chance de melhorar. Gostei muito de suas palavras, que me trouxeram aqui para falar também do apreço que sinto pela interioridade e pelo pensamento, mais deixo o desejo de que tudo possa correr pelo melhor.
De Fátima Costa a 14 de Janeiro de 2013 às 11:12
Após mais um período de apatia irritante , voltei a ter vontade de viver e dizer com o padre Tolentino de Mendonça: "Ajuda-me Senhor a receber cada da como um dom".Gostaria bastante de dar a volta a esta situação desesperante e tudo fazer para que ela não se repita pois cansa-me bastante e indispõe-me contra os outros sem qualquer razão. Uma Amiga diz-me que são fases de "maluca culta"Começo a estar preocupada : assusta-me pensar que posso perder amigos por causa desta "maluquice". Depois de ler o seu post atrevo-me a pedir-lhe ajuda para que eu possa começar a trabalhar para a minha mudança interior
De Laurinda Alves a 14 de Janeiro de 2013 às 11:46
Fátima, muito obrigada pela partilha e pela confiança. Diga-me como acha que posso ajudá-la, tendo eu uma vida também de doidos, embora pelas razões opostas à apatia, uma vez que o volume de solicitações e compromissos é enorme. Espero sinceramente que seja possível vencer os seus desanimou e sei por experiência propria que isso acontece naturalmente quando nos descentramos de nós e nos voltamos para os outros. Seja através do trabalho, de voluntariado ou de projectos mais ou menos avulsos, por assim dizer. Um abraço!!
De Fátima Costa a 15 de Janeiro de 2013 às 15:11
Muito obrigada pela atenção que me dispensou. Na verdade sinto-me envergonhada de levar a despender tempo comigo.
Não tenho razão alguma para andar angustiada: tenho uma família óptima que nunca me marginalizou
, bons amigos, nada me falta afinal. Dá-me ideia que tenho andado a brincar com a vida e a não dar o valor à sorte que tenho tido. Temo que tudo não passe de uma crise de mimo.. Será que a superprotecção fez de mim uma pessoa mimada e parva?.
Como me interessa mudar de atitude foi nesse sentido que pedi a sua ajuda: pistas para crescer.
Mais uma vez obrigada
Fátima



De Fátima Costa. a 15 de Janeiro de 2013 às 15:14
Muito obrigada pela atenção que me dispensou. Na verdade sinto-me envergonhada de levar a despender tempo comigo.
Não tenho razão alguma para andar angustiada: tenho uma família óptima que nunca me marginalizou
, bons amigos, nada me falta afinal. Dá-me ideia que tenho andado a brincar com a vida e a não dar o valor à sorte que tenho tido. Temo que tudo não passe de uma crise de mimo.. Será que a superprotecção fez de mim uma pessoa mimada e parva?.
Como me interessa mudar de atitude foi nesse sentido que pedi a sua ajuda: pistas para crescer.
Mais uma vez obrigada
Fátima



De Laurinda Alves a 20 de Janeiro de 2013 às 20:49
Querida Fátima, o seu comentário chegou duplicado :) Não se preocupe nada pois todos sabemos por experiência própria que por nada (ou quase nada!) podemos ficar muito tristes ou muito contentes!! E é justamente por a vida ser um enorme carrocel de emoções, situações e estados de alma que vale a pena centrarmo-nos mais na felicidade dos outros do que na nossa :)) Abraço!!
De Fátima Costa. a 21 de Janeiro de 2013 às 11:38
Bom dia Laurinda Alves

Mais uma vez aquela verdade tão verdadeira: depois da tempestade vem a "bonança".Dentro e fora de mim: já consigo dizer muito convictamente "Ajuda-me Senhor a "receber cada dia como um dom e acolher a vida como a oportunidade que ela é". Acho mesmo que esta linda oração funciona como o meu ânimómetro. Que alívio! A sua ajuda , mais uma vez foi crucial. Primeiro ouviu-me e depois fui ter com a XIS, reler alguns artigos que tinham ficado agendados. E, tal como então, ajudou-me imenso Afinal a ajuda estava pertinho. ! Até já tenho montes de projectos a germinar e não perdi os meus amigos. Eles continuam e a sua amizade é tão preciosa como antes e durante as crises de parvoeira.
Obrigada sempre!
Fátima Costa




De Laurinda Alves a 21 de Janeiro de 2013 às 13:14
Obrigada, eu, querida Fátima! Um abraço e muita força :)
De Fátima Costa a 21 de Janeiro de 2013 às 14:36
Boa tarde
Sabe Laurinda Alves, é precisamente nestas crises que encontro força e luz para em cada dia agradecer a minha vida? E, agora. sei precisamente que consigo dar a volta a estes episódios menos bons e o que me faz bem nestas alturas.
Um beijo
Fátima Costa

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