Terça-feira, 6 de Março de 2012
Ler e escrever, dois dos grandes prazeres da vida

Leio e releio o que escrevo em cadernos pretos e encarnados que se acumulam nas prateleiras e gavetas, porque tomo notas de muitas coisas diferentes e de vez em quando preciso de voltar a certos temas. Tenho cadernos escritos de uma ponta a outra sobre temas específicos como os Cuidados Paliativos, as Relações Humanas, a Comunicação Interpessoal, Empreendedorismo, Ética, Fé, Grafologia, descobertas e debates no âmbito das Neurociências (um tema fascinante para mim, com o qual não faço nem farei nunca nada, mas que me interessa e prende a minha atenção) e por aí adiante, num índice impossível de enunciar aqui. Em todos estes temas prefiro as notas manuscitas às teclas do computador. Gosto da ideia de ainda não ter perdido a caligrafia e gosto de sublinhados, notas à margem e escritos de pé de página. Sou das que lêm livros sempre com um lápis na mão e das que anotam ideias, diálogos, coisas mais ou menos avulsas, a propósito de tudo e nada. Se tivesse jeito para o desenho era como os ilustradores com os seus diários gráficos. Assim desenho apenas letras e palavras, que arrumo cuidadosamente nas páginas como se estivesse a editar livros. Vou acumulando cadernos porque também vou acumulando cursos (falo dos que dou e dos que frequento) e estou sempre a inaugurar moleskines e a tentar perceber como catalogá-las. Last but not the least, escrevo todos os dias uma espécie de Diário de Graças, onde aponto só as coisas boas de cada dia, os encontros, os momentos, alguns fragmentos de conversas, nomes de músicas, memórias de livros e leituras, mais as coisas que são só minhas. Aprendi a anotar exclusivamente o que é construtivo, e confesso que foi um grande ensinamento. O resto destina-se a ser transformado em 'terra queimada' ou acaba por se converter num ou outro propósito que me permita vencer barreiras, ultrapassar obstáculos e  seguir caminho. Se não tivesse escrito tantas linhas neste post ainda citava uma passagem d'O Velho que lia romances de amor, de Luís Sepúlveda. Assim fica para outra vez. Para amanhã, talvez.

 

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publicado por Laurinda Alves às 19:42
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14 comentários:
De Francisca Menanao a 6 de Março de 2012 às 21:36
Gosto da ideia do Diário de Graças! Parece-me uma óptima forma de irmos tendo bem presentes todas as coisas boas que nos acontecem todos os dias! um bj
De Isa Lisboa a 6 de Março de 2012 às 21:40
Eu também tenho caderninhos guardados, onde deixo os meus pensamentos, desabafos, e outros assim... Mesmo desde que comecei a partilhar alguns na blogoesfera, eles continuam a ter lugar nas páginas brancas. Se não estiverem lá...é quase como se não os tivesse escrito...
De Maria João de Ornelas Monteiro a 6 de Março de 2012 às 21:45
Diário de Graças é uma ideia genial. Obrigada!
De Tiago Casaleiro a 6 de Março de 2012 às 21:48
Olá Laurinda, Olá a todos vós que por aqui passam!

Obrigado, Laurinda, por este texto, pelas ideias e pela inspiração. Acho que vou ter uma conversinha com os meus moleskines.

Abraceijo,

Tiago Casaleiro
De Um Jeito Manso a 6 de Março de 2012 às 22:29
Que é isso, Laurinda, austeridade? Palavras contadas? É a versão feminina e 'blogótica' do Vítor Gaspar?

Ia o texto tão bom, só pensamentos positivos, diários, caderninhos e eu encantada e, de repente, quando ia chegar a vez da citação, nada, que já tinha gasto muitas palavras...?

Protesto.
De Margarida a 7 de Março de 2012 às 00:27
Que engraçado é ler este post, pois identifico-me tanto com ele... Não escrevo tanto, nem sobre temas tão difíceis, prefiro "escrevinhar" coisas que me vêm à ideia, que oiço, que leio... No entanto se tiver de fazer uma quadra, tem de ser num envelope usado :-) ("quadras por encomenda, como diz a mana). E também leio sempre com um lápis na mão - para sublinhar, rabiscar, fazer sinais (talvez por isso não goste de ler livros emprestados - também não gosto de os emprestar, confesso!)
Beijinhos, Laurinda, e até breve :-)
De mafalda a 7 de Março de 2012 às 09:21
Adorei esta designação de diário de Graças. Muito importante para nos centrarmos no essencial e valorizar a vida ao máximo.
Como não tenho o dom da escrita acho que vou mesmo pela opção do diário "mental". Uma pequena revisão todos os dias.
Obrigada Laurinda.
mafalda
De Ana Paula a 7 de Março de 2012 às 09:41

Querida Laurinda

O "Diário de Graças" (já sabia dele) é uma ideia maravilhosa e que já adoptei!

Que interessante seria poder catalogar/organizar esses cadernos:)

Bj
De Antonio Brazão a 7 de Março de 2012 às 11:47
Olá Laurinda!

Correndo o risco de me tornar repetitivo ou parecer excessivamente cordial consigo, este post prova (me) que possui um enorme talento literário pela facilidade com que escreve.
Acho fantástico, no que tenho lido escrito por si, a clareza com que "relata/conta" uma história ou um sentimento.
Sei que um dia publicará um ENORME romançe. Tenho a certeza!

Sobre "os seus livros e apontamentos", lembrou-me Saramago quando a um plateia de Jovens explicava que o "segredo" da escrita estava na quantidade/qualidade dos livros que o escritor lia!

Fique feliz e com "Graças" tranquilas e felizes.

Abraço.

António.
De Fernanda Matias a 7 de Março de 2012 às 15:33
Querida laurinda

Durante muitos anos , lia os livros com um lápis na mão, sublinhava e escrevia notas á margem. Tenho centenas de livros assim ( só meus e só para mim).
Agora já não faço isso e não sei porquê.
Ainda me lembro de não emprestar livros, exactamente porque os sublinhados e notas, diziam muito de mim.
Agora, quando tenho estgiários, como já não sublinho, empresto livros técnicos, que às vezes não têm retorno, mas alguém fica a ganhar,porque os livros são para a vida e para lá voltarmos sempre, quando valem a pena.

Um abraço.

Fernanda Matias

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