Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011
A geometria dos dias

 

A dez dias de fazer 50 anos e de inaugurar os meus fifties, dou comigo em balanços interiores, a conferir e a agradecer a minha vida, a dar valor a coisas boas mas também a algumas menos boas, e a perceber cada vez melhor a minha alegria de recomeçar em cada dia. Continuamos em fase de filmagens, gravações e edição dos programas. Adoro o que faço e mesmo não sendo imparcial, posso-vos dizer que este rol de entrevistados é mais uma combinação prodigiosa de talentos. Ser freelancer em Portugal tem lados positivos e negativos, mas nesta fase confesso que só vejo os positivos. Se calhar é por estar nesta espécie de estado de graça em que se fica quando antecipamos o fecho de um ciclo (ler também: uma década) para abrir outro, novinho em folha. Entre conquistas e fracassos, ganhos e perdas, crises e superações, a vida corre com semanas cheias, intensas, milimetricamente preenchidas. Gosto desta geometria dos meus dias.

publicado por Laurinda Alves às 00:01
link do post | comentar | favorito
10 comentários:
De concha a 20 de Novembro de 2011 às 23:58
Percebe-se por tudo o que faz, que a sua vida tem o sentido do essencial.
Fico feliz por si e compreendo-a, porque também a minha vida adquiriu um sentido que me faz olhar o futuro com serenidade e a certeza de que mesmo se nem sempre tudo foi perfeito teve no entanto o dom de me trazer oportunidades que de outro modo não surgiriam.
Um abraço forte
De João Nuno a 21 de Novembro de 2011 às 02:11
Querida Laurinda,
acho que todos nós é que temos de agradecer por ser fonte de inspiração na nossa vida e por nos ajudar a ir mais além com a sua energia.
Cá estaremos para festejar os 50 em pensamento e ternura.

Deixo-lhe hoje esta reflexão de Tolentino Mendonça que acabei de ler.
Beijinhos, João Nuno
***
Acho que todas as vidas, mais longas ou mais breves, têm o mesmo comprimento: medem todas quarenta e dois Kms. Porquê? Por que essa é a extensão de uma maratona. Repito: se a vida se parece com alguma modalidade, penso que não anda longe dessa corrida bela e interminável que de uma maneira evidente coloca em prova a resistência, a esperança e a vontade. Hoje vi passar uns largos milhares de corredores e dei comigo a pensar no que faz estas pessoas correr. Não falo dos atletas profissionais que têm aí uma expressão importante da sua vocação e do seu talento. Falo destes milhares de mulheres e de homens comuns, que ao longo de um ano arranjam com esforço um tempo livre para os treinos necessários e que anualmente acorrem à maratona não para competir uns com os outros, mas talvez por alguma razão mais profunda, que nos endereça para zonas silenciosas do nosso próprio coração. Eles correm porquê? Muito simplesmente para se sentirem vivos ou a reviver. Para se lançarem a si próprios um desafio. Para sentirem, de forma mais palpável, que as múltiplas corridas em que quotidianamente se embrenham (em que nos embrenhamos) convergem para uma meta.

De que a maratona é uma parábola da vida não restam dúvidas quando ouvimos um maratonista descrever a sua experiência. O arranque, com o entusiasmo e a quase euforia. Depois a comunhão com os outros corredores e com o público que assiste. As palmas tornam-se um encorajamento e as palavras de confiança um redobrar da confiança própria. Nesta etapa nem se sente o chão e cada corredor como que levita. Diz quem sabe que as coisas mudam mais ao menos ao Km vinte e cinco. O desgaste físico e as primeiras incertezas trazem um abatimento interior inesperado. No meio daquela multidão cada um se sente, de repente, radicalmente só, ferido pela dor, provado por uma incógnita que não oferece tréguas. “É a primeira crise?”- perguntamos. Um maratonista ri-se e dirá que daí para a frente é só crises. E, por isso mesmo, ele tem a cada momento, na adversidade, de restaurar a possibilidade da esperança. A confiança não é um garantido seguro, mas uma marcha no aberto, para não dizer no desprovido. E, verdadeiramente, os corredores vacilantes que cruzam a meta não se podem queixar. A primeira parte desta maratona, por exemplo, era feita por mulheres e homens em cadeiras de rodas, e muitos deles não tinham pernas.»

José Tolentino Mendonça
De Zilda Cardoso a 21 de Novembro de 2011 às 08:33
Ainda bem que está feliz... A vida está a ser uma maratona, à maneira do que diz Tolentino de Mendonça?
De eu mesma a 21 de Novembro de 2011 às 11:06
Laurinda, desculpa mas é impossível fazeres 50 anos. Tens a certeza?! eu não acredito... és jovem demais
De ann a 21 de Novembro de 2011 às 12:06
Fazer 50 anos, não é ficar velha e nem deixar de ser bonita!
Fazer 50 anos é realizarmos mais uns quantos diplomas de diversas "disciplinas" da Vida. Estes diplomas vêm exactamente, dos "altos" , dos "baixos", do" menos bom" e também dos péssimos momentos da nossa vida.
E também de momentos gloriosos que por aqui vimos passar na (Sua Vida).
Fazer 50 anos é sabermos mais, é sentirmo-nos com a serenidade da sabedoria que vem de dentro...é bom...!

Olhamos para si e vimos sempre uma pessoa de 37 ou 38 anos!!
Parabéns por essa vida interior tão plena e rica...

De ann a 21 de Novembro de 2011 às 12:31
Voltei cá, pois só no fim é que vim ler este comentário «texto», sempre , para mim, cheio de ensinamentos para a vida como todos os que escreve Pe. Tolentino de Mendonça.
É por estas e por outras, que mesmo em momentos menos bons, venho espreitar por aqui e apanho sempre qualquer coisinha...
Obrigada...
De Becas a 21 de Novembro de 2011 às 18:50
Um dia disse chega! Anunciei que me ia embora e passados uns dias fui! a conjuntura não é a melhor e só alguem com pouco juizo faz uma coisa assim...estou parada, ainda não encontrei o que fazer mas cada dia que passa estou mais convencida que não quero voltar ao que fui. Passei 20 anos a ser uma coisa e que nos próximos 20 posso mudar. Não tive nenhum clik mas estou mais exigente e com acerteza de que já que não vou durar muito mais pelo menos não me quero chatear tanto com coisas menores como até aqui! E já só que estar com as pessoas que me fazem bem... A exig~encia apura-se com a idade. BJs
De Um Jeito Manso a 21 de Novembro de 2011 às 22:12
Está, portanto, Laurinda, a poucos dias de entrar numa década dourada. Vai ser tudo melhor, a vida sabe melhor, há uma maior capacidade de perceber e apreciar a vida nas suas diversas vertentes, há uma maior disponibilidade e tolerância (mas aí já a Laurinda as tem em quantidade suficiente).

E essa vida de free lancer deve ser uma liberdade enorme (embora seja uma coisa que assuste a quem está habituado a trabalhar por conta de outrem).

Continue a ser assim, Laurinda, uma pessoa disponível para festejar a vida em cada pequena coisa.
De Maria Araújo a 22 de Novembro de 2011 às 14:05
Sempre em forma, espírito de trabalho e colaboração, um ciclo que não se fecha, mas continua, a(c)tivo.

Cumprimentos.
De Margarida Oliveira a 26 de Novembro de 2011 às 19:18
Cara Laurinda: apreciadora desde sempre do seu trabalho, penso que daí transparece essa sua satisfação com o que faz. Tenho apenas um pedido a fazer que espero que não considere ingrato já que não sou da sua área e por isso não tenho conhecimentos: atenção nesta nova série aos detalhes que, na minha humilde opinião, puseram em causa a outra série. Refiro-me ao som e outros aspectos técnicos que à altura todos chamaram a atenção. De resto, continue o excelente trabalho.
Cumprimentos,
Margarida

Comentar post

.pesquisar
 
.Feitos em Portugal

Feitos em Portugal

.tags

. todas as tags

.portugueses sem fronteiras
.posts recentes

. MUITO OBRIGADA A TODOS PE...

. CURSOS DE COMUNICAÇÃO NO ...

. Curso de Comunicação adia...

. Se tiver quorum ainda dou...

. O BENTO E A CARMO HOJE EM...

. HOJE NO PORTO: SOBREVIVER...

. MÃES QUE NÃO CHEGAM A VER...

. Esta miúda vai longe!

. Alegria!

. Ladrões e cavalheiros

.arquivos
.mais sobre mim
.subscrever feeds