Domingo, 10 de Julho de 2011
Orquestras Geração: uma festa e um hino à alegria!

Não resisti e fui ao anfiteatro da Gulbenkian ao fim da tarde ouvir as Orquestras Geração. Foi  uma festa e um momento inesquecível!

 

 

Ouvir estes miúdos tocar e tocar tão bem, é um poema. Muitos deles vivem em realidades difíceis, muito carenciadas, e a música ajuda-os a escapar de destinos muito adversos. A elevação intelectual, emocional e até moral, mais o reconhecimento social dos seus talentos, constituem um estímulo incrível para vencer obstáculos e ganhar confiança em si mesmos. O anfiteatro estava cheio, a transbordar, de pessoas atentas e entusiastas. 

 

 

Os solistas, por assim dizer, foram extraordinários, mas toda a orquestra é um fenómeno decorrente de outro grande fenómeno no qual se inspira. Falo do Programa das Orquestras Sinfónicas Infantis e Juvenis da Venezuela que, como muitos sabem, faz com que o ensino da música clássica tenha entrado nas favelas com uma naturalidade impressionante. O projecto consiste na criação de uma rede de orquestras nos bairros desfavorecidos da Venezuela, para resgatar as novas gerações e evitar que perpetuem ciclos de pobreza.

 

 

 

Aplaudimos de pé várias vezes e confesso que sou das que bateram palmas a tentar conter as lágrimas, pois tudo aquilo que vimos e ouvimos foi muito comovente. Hoje em dia as Orquestras Geração em Portugal já envolvem cerca de 700 crianças e jovens. É fabuloso ver como em apenas 4 anos tudo cresceu e se multiplicou desta maneira espantosa. Há 4 anos a 1ª orquestra tinha apenas 16 músicos.

 

 

A alegria em palco contagiou naturalmente a alegria na plateia. É giro ver a espontaneidade dos jovens músicos em palco, que tanto dançam enquanto tocam como estão impecavelmente alinhados, com solenidade e rigor. Fui com os meus pais e, ao meu lado, o meu pai comentou: "se fecharmos os olhos não percebemos se estamos a ouvir uma orquestra senior ou junior". Esta é a mais pura das verdades e daí também o sucesso deste programa. Aqui, como na Venezuela, onde o expoente máximo destas orquestras é a Simon Bolívar (orquestrada pelo lendário Gustavo Dudamel com paixão e nervo), estes miúdos tocam como grandes profissionais. Lindo!

 

 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 15:08
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2 comentários:
De Moura Aveirense a 11 de Julho de 2011 às 12:41
Adoro estes projectos e sou, em particular, uma fã de Dudamel!

Considero que se tivéssemos mais crianças / jovens a aprender música teríamos uma sociedade bem melhor.

Boa semana, Moura Aveirense
De Isabel O. a 11 de Julho de 2011 às 15:04
Pois eu, como estava em casa, chorei mesmo a ver um belíssimo documentário que passou ontem na RTP 2, sobre um coro de idosos nos EUA. Velhinhos mesmo, (havia gente na casa dos 90) cheios de maleitas (dois morreram no decurso das gravações), a cantar coisas improváveis. O momento alto da peça foi, a meu ver, um concerto ao ar livre numa cadeia. O que ali se passou (e que a câmara conseguiu transmitir) foi inesquecível.
É pena se não viu. Ia, por certo, ficar tocada.

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