
Esta fotografia faz-me lembrar os ramos das cerejeiras do meu avô. Eu explico. Quando os meus avós eram vivos, a nossa família, que é enorme, reunia-se todos os anos nas férias grandes e muitas vezes no Natal. Já o disse e escrevi, mas repito aqui que os tempos passados juntos foram os tempos mais felizes da nossa família. Fazíamos um pic-nic anual nas terras do meus avós, na sombra das cerejeiras, onde eram estendidas toalhas de linho grosso semeado, colhido e tecido pela minha avó e pelas mulheres que trabalhavam lá em casa com ela. Muitos anos mais tarde recebi um presente maravilhoso de um grande amigo da nossa família: um envelope com três raminhos apanhados nas cerejeiras do meu avô, que permanecem de pé e sempre fecundas. Guardei esses raminhos e tenho-os sempre próximos. Dão-me saudades mas também me fazem sorrir e sentir mais protegida. São uma espécie de fotografia do meu avô e da minha avó. Ou, para dizer melhor, uma maneira querida de os sentir presentes. No Inverno também as árvores que foram dos meus avós ficam cobertas de neve. Daí as memórias e a minha nostalgia.
De
Nucha a 5 de Janeiro de 2010 às 12:37
Laurinda,
O efeito que isto tem em mim...como entendo e sinto essa nostalgia!
Há coisas tão singelas mas tão presentes na nossa vida.
Beijo,
Nucha
De
Vera a 5 de Janeiro de 2010 às 13:55
Bonito. Também sei que os meus tempos mais felizes foram os que passei junto dos meus Avós. E também sinto uma saudade enorme deles, mas sinto que a minha Avó está sempre por perto, como um Anjo da Guarda. Beijos Bom Ano!!!
De concha a 5 de Janeiro de 2010 às 14:33
Querida Laurinda!
Na infância ,que se recorda como algo muito bom , tudo tem outra dimensão .Os cozinhados a que por vezes na altura franzíamos o nariz, hoje quem nos dera tê-los ;os passeios dados em família eram e ainda são únicos ;as casas antigas , hoje viraram quase encantadas e de encantamento ;o cão, pelo menos para mim , era confidente, companheiro e também objecto algumas vezes de emoções descarregadas ao ponto de o considerar quase pessoa :).As lembranças boas da infância ajudam a construir um presente mais equilibrado , porque assente em afectos bem resolvidos .
Por isso compreendo bem o peso que todas essas lembranças têm para si .Que bom que assim seja !
Beijinhos e felicidades para este ano
De conceição Santos a 5 de Janeiro de 2010 às 15:13
Ao ler o blog da Laurinda , senti uma nostalgia dificil de descrever, não sou assim tao velha mas vieram-me á recordação imagens de uma infância passadas numa aldeia do centro do país, em que eu conjuntamente com o meu irmao e alguns primos iamos de carroça com o meu avô paterno a propriedades rústicas que lhe pertenciam era uma festa, porque não era todos os dias que isso acontecia, e recordo-me particularmente de um episódio que mantenho intacto na minha memória, uma tarde quents do final do verão em que acompanhamos o meu avô e no meio das brincadeiras ouço o sino da igreja a tccar aquilo que mais tarde vim a saber se chamar as Ave Marias,e num gesto imediato o meu avõ tirou o chapéu e em sinal de vénia virou-se para a direcção da igreja que ficava distanciada alguns kilometros, esta imagem na altura eu tinha 7,8 anos nao significou nada , mais tarde percebi o gesto , o quanto na nossa sociedade de hoje nos faz falta o cultivarmos rituais , hoje infelizmente já não se tocam as Ave Marias , mas esta imagem ficou me gravada e ainda hoje há um senho com alguma idade que quando me ve na rua tira o boné e me cumprimenta eu acho aquele gesto delicioso e faz-me recordar sempre esse episódio da minha minha meninice . obrigado por mais uma vez me faze recordar este episódio
De Isabel Mota a 5 de Janeiro de 2010 às 15:47
Querida Laurinda
Também tenho um gosto muito especial por árvores... pelo que elas contam de nós. Tenho uma, muito velhinha que era quen ajudava a minha mãe a dar-me a sopa! Que paciência que as duas tinham... a árvore para me "aturar" as birras, com o seu baloiço e a minha mãe que ali ficava, encostada a ela à espera que eu abrisse a boca!!! Bom, mas por falar em árvores, já lhe falei à umas semanas atrás da árvore do tempo que cosntruímos na Igreja do Milharado. É uma ideia maravilhosa... talvez não tenha tido tempo de a conhecer... agora publico no meu blog a última imagem desta árvore... que protege o presépio. Veja... ouça o destaque do Pedro Rolo Duarte... e diga-me o que achou desta ideia. Talvez a Laurinda a possa levar longe, noutras formas, noutros espaços, mas com o mesmo objectivo e proposta: que ofereçamos o nosso tempo aos outros... Bom Ano e um grande beijinho para si.
P.s sim, a foto do seu filho estava maravilhosa! Grande presente! Isabel Mota
Se puder dar-me uns minutos do seu tempo.... está aqui a imagem de que falei.
http://gato-pintado.blogspot.com
Querida Laurinda,
percebo tão bem e sinto tanto isto. A casa do Avô e os melhores e mais felizes tempos da nossa familia e meus. Também tudo o que me faz sentir a presença de todos os que já cá não estão - mas estão - e de todos os ausentes. A protecção que dá... entendo tão bem! E de repente umas saudades imensas da Mãe... obrigada pela partilha.
Um beijinho e abraço.
De mafalda a 5 de Janeiro de 2010 às 16:44
São de facto muito bonitas as memórias de uma infância feliz. O seu encanto acompanha-nos para o resto das nossas vidas, mas porventura só lhes damos o devido valor com a idade.
Felizmente ainda tenho avós, mas tenho uma saudade infinita, mas muito boa da minha bisavó com quem tive o privilégio de conviver até quase ao final dos meus tempos de faculdade.
Sente-se de facto que essas pessoas queridas continuam nas nossas vidas e também eu acredito que olham por nós, junto ao nosso anjo da guarda, tal como digo aos meus filhos, ainda pequeninos.
A Laurinda conseguiu expressar tão bem o que muitos sentimos! E com palavras que vêm da alma!
A propósito, bom ano para todos, com muita saúde, paz e amor.
De Augusto Küttner de Magalhães a 6 de Janeiro de 2010 às 00:03
Já ultrapassou Laurinda as 550.000 visitas, não sendo no final de 2009, foi no inicio, inicio de 2010.
Parabens!
Querida Laurinda,
Esta maravilhosa foto fala aos meus cinco sentidos!
Noite tranquila
Marcolino
De Maria José a 6 de Janeiro de 2010 às 01:06
Olá Laurinda!
Que memórias tão belas que esta fotografia evoca e que forma eloquente de as contar!
A Laurinda escreve com Alma, coloca muito de si no que escreve e isso é altamente maravilhoso, com a capacidade de tocar quem a lê...
Já pensou na minha ideia de passar o blog "Substância da Vida" para formato livro? Pense nisso...!
Seria uma lição de vida, de afectos, de Caminhada pela vida, uma forma de tocar ainda mais a vida de muitas pessoas... e tantas que a Laurinda já ajudou!
Abraço grande
Maria José
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