Terça-feira, 5 de Janeiro de 2010
Neve nos ramos das cerejeiras do meu avô

 

Esta fotografia faz-me lembrar os ramos das cerejeiras do meu avô. Eu explico. Quando os meus avós eram vivos, a nossa família, que é enorme, reunia-se todos os anos nas férias grandes e muitas vezes no Natal. Já o disse e escrevi, mas repito aqui que os tempos passados juntos foram os tempos mais felizes da nossa família. Fazíamos um pic-nic anual nas terras do meus avós, na sombra das cerejeiras, onde eram estendidas toalhas de linho grosso semeado, colhido e tecido pela minha avó e pelas mulheres que trabalhavam lá em casa com ela. Muitos anos mais tarde recebi um presente maravilhoso de um grande amigo da nossa família: um envelope com três raminhos apanhados nas cerejeiras do meu avô, que permanecem de pé e sempre fecundas. Guardei esses raminhos e tenho-os sempre próximos. Dão-me saudades mas também me fazem sorrir e sentir mais protegida. São uma espécie de fotografia do meu avô e da minha avó. Ou, para dizer melhor, uma maneira querida de os sentir presentes. No Inverno também as árvores que foram dos meus avós ficam cobertas de neve. Daí as memórias e a minha nostalgia. 

 



publicado por Laurinda Alves às 11:18
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19 comentários:
De Nucha a 5 de Janeiro de 2010 às 12:37
Laurinda,
O efeito que isto tem em mim...como entendo e sinto essa nostalgia!
Há coisas tão singelas mas tão presentes na nossa vida.
Beijo,
Nucha


De Vera a 5 de Janeiro de 2010 às 13:55
Bonito. Também sei que os meus tempos mais felizes foram os que passei junto dos meus Avós. E também sinto uma saudade enorme deles, mas sinto que a minha Avó está sempre por perto, como um Anjo da Guarda. Beijos Bom Ano!!!


De concha a 5 de Janeiro de 2010 às 14:33
Querida Laurinda!
Na infância ,que se recorda como algo muito bom , tudo tem outra dimensão .Os cozinhados a que por vezes na altura franzíamos o nariz, hoje quem nos dera tê-los ;os passeios dados em família eram e ainda são únicos ;as casas antigas , hoje viraram quase encantadas e de encantamento ;o cão, pelo menos para mim , era confidente, companheiro e também objecto algumas vezes de emoções descarregadas ao ponto de o considerar quase pessoa :).As lembranças boas da infância ajudam a construir um presente mais equilibrado , porque assente em afectos bem resolvidos .
Por isso compreendo bem o peso que todas essas lembranças têm para si .Que bom que assim seja !
Beijinhos e felicidades para este ano


De conceição Santos a 5 de Janeiro de 2010 às 15:13
Ao ler o blog da Laurinda , senti uma nostalgia dificil de descrever, não sou assim tao velha mas vieram-me á recordação imagens de uma infância passadas numa aldeia do centro do país, em que eu conjuntamente com o meu irmao e alguns primos iamos de carroça com o meu avô paterno a propriedades rústicas que lhe pertenciam era uma festa, porque não era todos os dias que isso acontecia, e recordo-me particularmente de um episódio que mantenho intacto na minha memória, uma tarde quents do final do verão em que acompanhamos o meu avô e no meio das brincadeiras ouço o sino da igreja a tccar aquilo que mais tarde vim a saber se chamar as Ave Marias,e num gesto imediato o meu avõ tirou o chapéu e em sinal de vénia virou-se para a direcção da igreja que ficava distanciada alguns kilometros, esta imagem na altura eu tinha 7,8 anos nao significou nada , mais tarde percebi o gesto , o quanto na nossa sociedade de hoje nos faz falta o cultivarmos rituais , hoje infelizmente já não se tocam as Ave Marias , mas esta imagem ficou me gravada e ainda hoje há um senho com alguma idade que quando me ve na rua tira o boné e me cumprimenta eu acho aquele gesto delicioso e faz-me recordar sempre esse episódio da minha minha meninice . obrigado por mais uma vez me faze recordar este episódio


De Isabel Mota a 5 de Janeiro de 2010 às 15:47
Querida Laurinda

Também tenho um gosto muito especial por árvores... pelo que elas contam de nós. Tenho uma, muito velhinha que era quen ajudava a minha mãe a dar-me a sopa! Que paciência que as duas tinham... a árvore para me "aturar" as birras, com o seu baloiço e a minha mãe que ali ficava, encostada a ela à espera que eu abrisse a boca!!! Bom, mas por falar em árvores, já lhe falei à umas semanas atrás da árvore do tempo que cosntruímos na Igreja do Milharado. É uma ideia maravilhosa... talvez não tenha tido tempo de a conhecer... agora publico no meu blog a última imagem desta árvore... que protege o presépio. Veja... ouça o destaque do Pedro Rolo Duarte... e diga-me o que achou desta ideia. Talvez a Laurinda a possa levar longe, noutras formas, noutros espaços, mas com o mesmo objectivo e proposta: que ofereçamos o nosso tempo aos outros... Bom Ano e um grande beijinho para si.
P.s sim, a foto do seu filho estava maravilhosa! Grande presente! Isabel Mota
Se puder dar-me uns minutos do seu tempo.... está aqui a imagem de que falei.

http://gato-pintado.blogspot.com


De solnocoracao a 5 de Janeiro de 2010 às 16:19
Querida Laurinda,
percebo tão bem e sinto tanto isto. A casa do Avô e os melhores e mais felizes tempos da nossa familia e meus. Também tudo o que me faz sentir a presença de todos os que já cá não estão - mas estão - e de todos os ausentes. A protecção que dá... entendo tão bem! E de repente umas saudades imensas da Mãe... obrigada pela partilha.
Um beijinho e abraço.


De mafalda a 5 de Janeiro de 2010 às 16:44
São de facto muito bonitas as memórias de uma infância feliz. O seu encanto acompanha-nos para o resto das nossas vidas, mas porventura só lhes damos o devido valor com a idade.
Felizmente ainda tenho avós, mas tenho uma saudade infinita, mas muito boa da minha bisavó com quem tive o privilégio de conviver até quase ao final dos meus tempos de faculdade.
Sente-se de facto que essas pessoas queridas continuam nas nossas vidas e também eu acredito que olham por nós, junto ao nosso anjo da guarda, tal como digo aos meus filhos, ainda pequeninos.
A Laurinda conseguiu expressar tão bem o que muitos sentimos! E com palavras que vêm da alma!
A propósito, bom ano para todos, com muita saúde, paz e amor.


De Augusto Küttner de Magalhães a 6 de Janeiro de 2010 às 00:03
Já ultrapassou Laurinda as 550.000 visitas, não sendo no final de 2009, foi no inicio, inicio de 2010.

Parabens!


De Marcolino - Desabafos de um Angolano a 6 de Janeiro de 2010 às 00:04
Querida Laurinda,

Esta maravilhosa foto fala aos meus cinco sentidos!

Noite tranquila
Marcolino


De Maria José a 6 de Janeiro de 2010 às 01:06
Olá Laurinda!

Que memórias tão belas que esta fotografia evoca e que forma eloquente de as contar!
A Laurinda escreve com Alma, coloca muito de si no que escreve e isso é altamente maravilhoso, com a capacidade de tocar quem a lê...

Já pensou na minha ideia de passar o blog "Substância da Vida" para formato livro? Pense nisso...!

Seria uma lição de vida, de afectos, de Caminhada pela vida, uma forma de tocar ainda mais a vida de muitas pessoas... e tantas que a Laurinda já ajudou!

Abraço grande

Maria José


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