Fui visitar a Raquel, a minha amiga de Santa Isabel que conheci nas missas do fim do dia e a quem levava a casa todos os dias. Ficámos amigas assim e durante anos fomos quase inseparáveis a essa hora. Onde estava uma, estava a outra. Este ano a Raquel ficou pior de saúde e deixou de poder sair de casa e, por isso, temo-nos visto pouco. Hoje fui visitá-la com a Amélia e rimo-nos as três com coisas que só nós sabemos e vivemos. Que bom ter encontrado a Raquel alegre e bonita como sempre. Depois de falarmos ao telefone achei que a ia ver muito em baixo mas afinal não. A Raquel é um anjo querido e luminoso. Adoro as suas mãos, são lindas e têm uma pele macia, sempre quentinha. Estava com saudades de as sentir nas minhas. Embora viva completamente sozinha aos 86 anos, já fraquinha e quase sem ver, a Raquel não perde a alegria, a esperança e a fé, como ela própria diz. Dá gosto ouvi-la falar e ver a maneira como usa as palavras. Fala um português bonito e conta coisas da sua vida que encantam e comovem porque apesar de ter sido uma vida dura, a Raquel tem o dom de a tornar leve. Obrigada por tudo e tanto que sempre nos dá, querida Raquel.
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