Sábado, 5 de Dezembro de 2009
Os templos, as cores, as texturas e os símbolos do Laos

 

A sombra das varandas interiores dos templos budistas são irresistíveis para parar e ler ou fotografar. Esta rapariga estava completamente absorta na leitura do seu guia e nem reparou que a fotografámos por estar encostada às paredes mais bonitas deste templo, perto das portas que são verdadeiros tesouros.

 

 

Este rapaz também fotografou a rapariga poeticamente encostada lá fora, enquanto o movimento perpétuo das pessoas a entrar e sair descalças dos templos e lugares sagrados fluia nesta espécie de abstracção tranquila que se vive no Laos, onde todos nos sentimos incrivelmente bem e onde ninguém repara em ninguém. No bom sentido, leia-se. A rapariga da trança a ler no balcão foi uma excepção para mim e para o rapaz ruivo, portanto.

 

 

É impossível descrever a intimidade que se sente nestes lugares sagrados, onde o ouro e a madeira pintada têm os vestígios do tempo e não reluzem como em certos palácios reais de outras cidades e países na Ásia. Aqui tudo tem um ar meio delabré e é esta patine que faz a diferença. Nada está decadente mas também nada rebrilha e quase podemos ler na pedra e na madeira os séculos de adoração, gratidão e súplica dos laosianos e dos que os visitam.

 

 

Please take off your shoes é a frase mais repetida nestas paragens, onde nos temos que descalçar até à entrada dos hotéis. Tudo é feito com uma naturalidade espantosa e mesmo quem não gosta ou não está habituado a andar descalço em lugares públicos acaba por se sentir confortável com isso. A madeira do chão dos hotéis de charme no Laos é de uma beleza rara e isso também ajuda a entrar nesta onda verdadeiramente zen.

 

 

Eis a lendária árvore da vida, a imagem mais célebre de todas e aquela que nos diz que antes de nós existiram multidões e depois de nós outras tantas se hão-de suceder...

 

 

Adoro as cores, as texturas e os detalhes dos templos no Laos. A cal, imaculadamente branca e o azul dos azulejos são um contraste luminoso e inspirador. 

 

 

Três elefantes debaixo de um pálio representam o Laos. Os símbolos deste país são as flores de lotus e do frangipani (cujo perfume fresco e suave apetece guardar para sempre) e os três elefantes nesta tripla posição.

 

 

Um templo em restauro, mesmo em frente do palácio real. Os andaimes de bambu são um clássico na Ásia mas não deixam de ser fascinantes.

 

 

Rente ao passeio deste tempo em recuperação, uma cobra de cabeça verde. Dizem que são muito perigosas mas prefiro não pensar muito no assunto...

 

 

O Palácio Real de Lua Prabang, província do norte do Laos, onde os reis tinham esta espécie de 'pavilhão de férias'. Muito sóbrio e muito colonial. Ou seja, muito a condizer com a atmosfera que se vive neste país e, em particular, nesta província. Na capital do Laos o Palácio Real é infinitamente mais rico.

 

 

Um detalhe eloquente do espírito dos laosianos relativamente ao asseio e limpeza de ruas, passeios e jardins: o caixote do lixo está suspenso numa cana de bambu e é muito fácil de remover. Não há lixo nas ruas de Luang Prabang e mesmo após o mercado diário (que começa às 6 da tarde e acaba às 10 da noite) o lixo é imediatamente recolhido. Também esta atitude faz diferença no ambiente que se vive aqui.

 

 

Pormenor dos telhados de um dos 43 templos que existem na cidade de Lua Prabang. Uma beleza. Gosto muito, muito de tudo isto. Sabia que o Laos era especial mas não sabia que ia ficar para sempre um dos meus lugares no mundo...

 

 

Os monges reparam partes dos templos e fazem-no num silêncio total. Não falam connosco e se os interpelamos não respondem. Conseguem abstrair do mundo à sua volta e concentrar-se apenas nas tarefas que lhes pertencem. Nas ruas andam aos pares e conversam entre si. Ás vezes ouvem-se as suas gargalhadas discretas.

 

 

O interior de um templo, cheio de imagens com a faixa cor de açafrão. Gosto da simplicidade destes templos que são, ao mesmo tempo, sumptuosos e simples. É difícil explicar esta mistura mas é verdade. Não há ostentação nem opulência.

 

 

As ruas da cidade também me encantam e acho tudo muito bonito. É desta simplicidade que falo e sublinho no Laos, onde se sente uma quietude e uma benevolência permanentes.

 

 

As lojas podem ser muito artesanais ou muito chiques mas também há o meio-termo. Ou seja, há de tudo neste país onde se sente a influência francesa nas ruas principais (tudo é muito requintado no centro) mas como essas são sempre as mais fotografadas e as que aparecem nos melhores guias do mundo, eu fico-me pelas ruas laterais e da periferia, digamos assim. 

 

 

Não resisto, no entanto, a concluir este post sem mostrar duas realidades extremas que coexistem na rua principal: um tuc-tuc e um Mercedes dos anos 50 impecavelmente pintado e arranjado. Muito cinematográfico mas também muito eloquente...

 



publicado por Laurinda Alves às 06:14
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8 comentários:
De Isabel Mota a 5 de Dezembro de 2009 às 08:15
Querida Laurinda
Que viagem maravilhosa! Obrigada por dedicar parte do seu tempo a partilhar estes locais lindos connosco. Mil beijinhos, Isabel


De Leo a 5 de Dezembro de 2009 às 14:11
Laurinda,
Maia uma vez, deslumbra-nos com as suas imagens e comentários. Obrigada.
Ontem, não resisti. Coloquei, como padrão de fundo no meu computador, o entardecer em Luang Prabang.
Que beleza, que serenidade.
Estou ansiosa pela próxima partilha.
Tudo de bom.
Leo




De Marta M a 5 de Dezembro de 2009 às 16:51
Citando-a:"onde todos nos sentimos incrivelmente bem e onde ninguém repara em ninguém. No bom sentido, leia-se. "
Quando estamos em processo de encontro connosco mesmos, abstraímo-nos do que nos rodeia...Mas o mais extraordinário é que, nesse processo, estamos mais ligados aquilo que é comum a todos nós - a nossa humanidade.
Assim, aparentemente distraída do mundo, essa jovem está mais interessada nele, do quem nos olha de cima a baixo, apenas para procurar pontos de crítica ou razões de afastamento.
Surpreendentemente, se essa rapariga for abordada durante a sua leitura, terá um acolhimento mais amplo para quem a rodeia.
Só estamos bem com os outros depois de o estarmos connosco.
Continue a contar-nos tudo, promete?
É que estamos todos aí, graças à sua pormenorizada partilha e às fotos deslumbrantes.
Obrigada!

Nota: Nem comento a cobra :(


De Catarina a 6 de Dezembro de 2009 às 14:06
tenho aproveitado para viajar contigo... sorriso... as tuas fotos e os teus comentários acordam imensas memórias de uma viagem que fiz há 2 anos... também pela Ásia. Adorei e dificilmente esquecerei... tenho quase a certeza de que assim será contigo também! Sinto inveja... saudável e natural, leia-se!...risos

Um grande beijinho


De Fred a 6 de Dezembro de 2009 às 14:51
A inveja não é uma coisa bonita... mas imagina só quanta tenho depois de aqui passar ;)
Bjj, Laurindear.


De Zilda Cardoso a 6 de Dezembro de 2009 às 19:57
É tão simples, tão limpo e tão silencioso... Apetece ir para lá.
Mas se fôssemos estragaríamos tudo - sujaríamos, faríamos barulho, falarÍamos todos ao mesmo tempo.Iríamos complicar.
Não há salvação possível para nós.


De Augusto Küttner de Magalhães a 11 de Dezembro de 2009 às 17:31
Com este ar renovado do blog, já se podem "hoje": 11 Dez melhor ver as fotografias!!!

Acho espectacular o contraste do triciclo e do Mercedes! E quanto a este último, é um modelo já com muitos anos, já foram assim, muitos dos n/ taxis , e este da fotografioa, aguenta-se!
Certas "coisas" que não se devem de modo algum tornar afectivas por isso mesmo , serem "coisas" deveriam poder ser utilizaveis durante muito mais tempo, para não haver tanto a mania, a doença do consumismo, "agarrada" a uma ideia que ter mais e melhor que o vizinho , é que é bom.....


De Maria José a 11 de Dezembro de 2009 às 18:11
Olá Laurinda!

As fotografias que nos mostra são incrivelmente belas e mostram "um mundo" bem distante da nossa realidade onde apetece permanecer. Apetece permanecer na Quietude, na Serenidade, na Paz que estas fotos tão bem ilustram... Parece que nada foi deixado ao acaso, qual gravura do Real que irá permanecer infinitamente dentro de nós.

Estas fotografias são um verdadeiro bálsamo para a Alma! Parabéns, querida Laurinda!

Beijinho grande

Maria José


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