A sombra das varandas interiores dos templos budistas são irresistíveis para parar e ler ou fotografar. Esta rapariga estava completamente absorta na leitura do seu guia e nem reparou que a fotografámos por estar encostada às paredes mais bonitas deste templo, perto das portas que são verdadeiros tesouros.
Este rapaz também fotografou a rapariga poeticamente encostada lá fora, enquanto o movimento perpétuo das pessoas a entrar e sair descalças dos templos e lugares sagrados fluia nesta espécie de abstracção tranquila que se vive no Laos, onde todos nos sentimos incrivelmente bem e onde ninguém repara em ninguém. No bom sentido, leia-se. A rapariga da trança a ler no balcão foi uma excepção para mim e para o rapaz ruivo, portanto.
É impossível descrever a intimidade que se sente nestes lugares sagrados, onde o ouro e a madeira pintada têm os vestígios do tempo e não reluzem como em certos palácios reais de outras cidades e países na Ásia. Aqui tudo tem um ar meio delabré e é esta patine que faz a diferença. Nada está decadente mas também nada rebrilha e quase podemos ler na pedra e na madeira os séculos de adoração, gratidão e súplica dos laosianos e dos que os visitam.
Please take off your shoes é a frase mais repetida nestas paragens, onde nos temos que descalçar até à entrada dos hotéis. Tudo é feito com uma naturalidade espantosa e mesmo quem não gosta ou não está habituado a andar descalço em lugares públicos acaba por se sentir confortável com isso. A madeira do chão dos hotéis de charme no Laos é de uma beleza rara e isso também ajuda a entrar nesta onda verdadeiramente zen.
Eis a lendária árvore da vida, a imagem mais célebre de todas e aquela que nos diz que antes de nós existiram multidões e depois de nós outras tantas se hão-de suceder...
Adoro as cores, as texturas e os detalhes dos templos no Laos. A cal, imaculadamente branca e o azul dos azulejos são um contraste luminoso e inspirador.
Três elefantes debaixo de um pálio representam o Laos. Os símbolos deste país são as flores de lotus e do frangipani (cujo perfume fresco e suave apetece guardar para sempre) e os três elefantes nesta tripla posição.
Um templo em restauro, mesmo em frente do palácio real. Os andaimes de bambu são um clássico na Ásia mas não deixam de ser fascinantes.
Rente ao passeio deste tempo em recuperação, uma cobra de cabeça verde. Dizem que são muito perigosas mas prefiro não pensar muito no assunto...
O Palácio Real de Lua Prabang, província do norte do Laos, onde os reis tinham esta espécie de 'pavilhão de férias'. Muito sóbrio e muito colonial. Ou seja, muito a condizer com a atmosfera que se vive neste país e, em particular, nesta província. Na capital do Laos o Palácio Real é infinitamente mais rico.
Um detalhe eloquente do espírito dos laosianos relativamente ao asseio e limpeza de ruas, passeios e jardins: o caixote do lixo está suspenso numa cana de bambu e é muito fácil de remover. Não há lixo nas ruas de Luang Prabang e mesmo após o mercado diário (que começa às 6 da tarde e acaba às 10 da noite) o lixo é imediatamente recolhido. Também esta atitude faz diferença no ambiente que se vive aqui.
Pormenor dos telhados de um dos 43 templos que existem na cidade de Lua Prabang. Uma beleza. Gosto muito, muito de tudo isto. Sabia que o Laos era especial mas não sabia que ia ficar para sempre um dos meus lugares no mundo...
Os monges reparam partes dos templos e fazem-no num silêncio total. Não falam connosco e se os interpelamos não respondem. Conseguem abstrair do mundo à sua volta e concentrar-se apenas nas tarefas que lhes pertencem. Nas ruas andam aos pares e conversam entre si. Ás vezes ouvem-se as suas gargalhadas discretas.
O interior de um templo, cheio de imagens com a faixa cor de açafrão. Gosto da simplicidade destes templos que são, ao mesmo tempo, sumptuosos e simples. É difícil explicar esta mistura mas é verdade. Não há ostentação nem opulência.
As ruas da cidade também me encantam e acho tudo muito bonito. É desta simplicidade que falo e sublinho no Laos, onde se sente uma quietude e uma benevolência permanentes.
As lojas podem ser muito artesanais ou muito chiques mas também há o meio-termo. Ou seja, há de tudo neste país onde se sente a influência francesa nas ruas principais (tudo é muito requintado no centro) mas como essas são sempre as mais fotografadas e as que aparecem nos melhores guias do mundo, eu fico-me pelas ruas laterais e da periferia, digamos assim.
Não resisto, no entanto, a concluir este post sem mostrar duas realidades extremas que coexistem na rua principal: um tuc-tuc e um Mercedes dos anos 50 impecavelmente pintado e arranjado. Muito cinematográfico mas também muito eloquente...
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