Cheguei há dois dias e parecem semanas...Cada dia é um acontecimento. Ou melhor, uma sucessão de acontecimentos. Hoje fomos a um casamento budista e foi um privilégio poder partilhar a celebração de um dia tão especial para o João e a Nae (ele é português, como se percebe pelo nome; ela é tailandesa e o nome pronuncia-se Né). Fomos convidados por estarmos com os nossos embaixadores em Bangkok. Um duplo privilégio, portanto.
O ritual budista é longo e cheio de significado. Cada momento tem um sentido, cada gesto tem o seu alcance. Pode demorar um dia inteiro ou muitas horas seguidas. Os monges repetem as suas orações e a nós, ocidentais não budistas, o mantra soa como uma música murmurada. O esforço de concentração é tal que os próprios monges parecem exaustos. Os noivos permanecem nesta posição muito tempo seguido.
Fora da sala, entre o lugar sagrado e o palco da festa, vários convidados esperam pelos noivos. As três amigas da fotografia disseram-me o nome mas não consegui fixar e tenho pena. Não levei papel comigo e, por isso, aqui fica a imagem sem nomes. As flores pousadas no balcão por onde passávamos para chegar ao lugar do copo de água eram uma beleza. Aliás as flores Tai são de uma exuberância e uma beleza lendárias.
O uplaod das imagens é muito demorado e, por isso, não sei se vou conseguir postar tudo o que gostaria. Ontem fomos ao Palácio Real e demos uma volta pela cidade ainda meio atordoados pela viagen e pela diferença horária. Aqui são mais sete horas e como voámos no sentido nascente, aterrámos com o nascer do sol. Um poema.
Depois da cerimónia rezada, digamos assim, os noivos passam a um quarto ao lado e cumprem o ritual de alimentar os monges simbolica e literalmente falando. Enchem vários pratos de arroz, o prato nacional, e deixam as mesas semi-postas para os monges.
No fim da cerimónia os monges não se misturaram com os convidados e ficaram na sala àparte. Os preceitos budistas obrigam a que permaneçam separados, que as mulheres não toquem sequer nas suas vestes e que não convivam socialmente. Foi o que aconteceu, com uma naturalidade espantosa e um respeito antigo pelo papel de uns e outros nesta festa.
Os convidados iam assistindo à cerimónia na ombreira da porta e cada um à vez. Na sala dos noivos estão apenas eles, os monges e o mestre de cerimónias. Os amigos e a família estão na sala ao lado, onde o casamento também tem os seus rituais finais. Nos corredores e na varanda os convidados fazem fotografias e esperam pelo casal recém-casado.
Maria da Piedade e António Faria e Maya, embaixadores de Portugal na Tailândia, numa fotografia que não tem nada de institucional nem de formal, muito pelo contrário, é eloquente da alegria e da amizade com que estiverem presentes. Como prova de amizade, os noivos convidaram os embaixadores a participar em partes significativas do casamento.
Só mais umas linhas e uma imagem antes de concluir este post: os noivos 'ofereceram' máquinas fotográficas descartáveis aos convidados para que cada um pudesse livremente fazer fotografias e acrescentar imagens ao albúm do casamento. Boa ideia! Parabéns aos dois e muitas felicidades. Adorei a surpresa deste convite.
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