Domingo, 29 de Novembro de 2009
Fragmentos do filme de um casamento budista

 

Cheguei há dois dias e parecem semanas...Cada dia é um acontecimento. Ou melhor, uma sucessão de acontecimentos. Hoje fomos a um casamento budista e foi um privilégio poder partilhar a celebração de um dia tão especial para o João e a Nae (ele é português, como se percebe pelo nome; ela é tailandesa e o nome pronuncia-se Né). Fomos convidados por estarmos com os nossos embaixadores em Bangkok. Um duplo privilégio, portanto.

 

 

O ritual budista é longo e cheio de significado. Cada momento tem um sentido, cada gesto tem o seu alcance. Pode demorar um dia inteiro ou muitas horas seguidas. Os monges repetem as suas orações e a nós, ocidentais não budistas, o mantra soa como uma música murmurada. O esforço de concentração é tal que os próprios monges parecem exaustos. Os noivos permanecem nesta posição muito tempo seguido.

 

 

Fora da sala, entre o lugar sagrado e o palco da festa, vários convidados esperam pelos noivos. As três amigas da fotografia disseram-me o nome mas não consegui fixar e tenho pena. Não levei papel comigo e, por isso, aqui fica a imagem sem nomes. As flores pousadas no balcão por onde passávamos para chegar ao lugar do copo de água eram uma beleza. Aliás as flores Tai são de uma exuberância e uma beleza lendárias.

 

 

O uplaod das imagens é muito demorado e, por isso, não sei se vou conseguir postar tudo o que gostaria. Ontem fomos ao Palácio Real e demos uma volta pela cidade ainda meio atordoados pela viagen e pela diferença horária. Aqui são mais sete horas e como voámos no sentido nascente, aterrámos com o nascer do sol. Um poema.

 

 

Depois da cerimónia rezada, digamos assim, os noivos passam a um quarto ao lado e cumprem o ritual de alimentar os monges simbolica e literalmente falando. Enchem vários pratos de arroz, o prato nacional, e deixam as mesas semi-postas para os monges.

 

 

No fim da cerimónia os monges não se misturaram com os convidados e ficaram na sala àparte. Os preceitos budistas obrigam a que permaneçam separados, que as mulheres não toquem sequer nas suas vestes e que não convivam socialmente. Foi o que aconteceu, com uma naturalidade espantosa e um respeito antigo pelo papel de uns e outros nesta festa. 

 

 

Os convidados iam assistindo à cerimónia na ombreira da porta e cada um à vez. Na sala dos noivos estão apenas eles, os monges e o mestre de cerimónias. Os amigos e a família estão na sala ao lado, onde o casamento também tem os seus rituais finais. Nos corredores e na varanda os convidados fazem fotografias e esperam pelo casal recém-casado.

 

 

Maria da Piedade e António Faria e Maya, embaixadores de Portugal na Tailândia, numa fotografia que não tem nada de institucional nem de formal, muito pelo contrário, é eloquente da alegria e da amizade com que estiverem presentes. Como prova de amizade, os noivos convidaram os embaixadores a participar em partes significativas do casamento.

 

 

Só mais umas linhas e uma imagem antes de concluir este post: os noivos 'ofereceram' máquinas fotográficas descartáveis aos convidados para que cada um pudesse livremente fazer fotografias e acrescentar imagens ao albúm do casamento. Boa ideia! Parabéns aos dois e muitas felicidades. Adorei a surpresa deste convite.

 



publicado por Laurinda Alves às 10:17
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10 comentários:
De Nucha a 29 de Novembro de 2009 às 14:14
Laurinda,
Que máximo! Desfrute de tudo...
Abraço,
Nucha


De Leo a 29 de Novembro de 2009 às 14:35
Laurinda,

Acompanho, quase todos os dias o seu blog, contudo, poucas vezes deixo mensagem, agora não consigo deixar de "fazer parte, se me é permitido, dos seus olhos e sentimentos profundos, para, Também eu, me envolver nessa viagem.
Muitas felicidades e tudo de bom para oa noivos e amigos.
Leo


De solnocoracao a 29 de Novembro de 2009 às 15:54
Querida Laurinda,
obrigada pela partilha imensa de tudo. Sentimo-nos quase ai. Neste dia tão especial não esqueço o bem que me fez há um ano.
Obrigada por tudo o que é e significa.
Beijo e abraço apertado, longo, demorado e cheio de ternura.
Teresinha.


De Marcolino - Passatempo a 30 de Novembro de 2009 às 01:25
Querida Laurinda,
Aquele abraço por esta sua tão vasta e nobre partilha!
Marcolino


De Piquenina a 30 de Novembro de 2009 às 11:06
que bonito.


De Cantinhodacasa a 30 de Novembro de 2009 às 12:06
Parabéns pelas fotos, que estão lindíssimas.
Bom trabalho.
E o Sapo, também a congratulou-a com um merecido destaque.
Beijinh


De Cantinhodacasa a 30 de Novembro de 2009 às 12:06
Parabéns pelas fotos, que estão lindíssimas.
Bom trabalho.
E o Sapo, também a congratulou-a com um merecido destaque.
Beijinho


De G.S. a 30 de Novembro de 2009 às 14:45
Conhecendo a filosofia budista, nada me espantou do que li, mas tudo me encantou.
Que privilégio poder participar de uma cerimónia tão especial!
"Sinto que a essência de toda a vida espiritual são os sentimentos e a atitude que temos para com os outros."
Dalai Lama


De viguilherme a 30 de Novembro de 2009 às 15:22
O comentário que ontem escrevi desapareceu no anuncio de" a pagina web não mostra "ou algo assim ...... são máquinas .....máquinas ....bem hoje resolvi deitar umas letras do que ontem escrevi.....reescrevi e rememorizei de alguns dias em antanho passado na Tailândia aquando de passagem para terras de mais além.......revi e em imagens esfumadas suas e desfilei pela cidade antiga onde templos de pedra e dourados cercados por bela natureza eram protegidos e guardados por Buda nas mais diversas posturas e meditaçôes assim como por outras imagens sagradas ......guardioôes de templos e de um tempo sem tempo........segredos aí ficaram guardados ........a cidade cosmopolita e moderna na sua ancestralidade fervilhava de povo ,afavel ,timido e espectante onde todos os meios de comunicação coexistiam a pé ,bicicleta. carros de todo o tipo .......os mercados fluviais eos classicos eram de um colorido buliçoso e unico ......a noite gritante e desordeira por vezes cruzava varias ruas ........mas tudo surgia de um mundo difererente da cultura ocidental com mundos novos e prazeres exoticos .........as ilhas eram como o mar de uma transparencia e luminosidade de se saborear .......

Espero que a sua viagem decorra com o mistério ea sabedoria da descoberta de outra cultura e nos vá dando um diario de bordo que acompanhe seus mapas externos e internos nunca perdendo a bússola.........


De Moura Aveirense a 30 de Novembro de 2009 às 19:01
Espectacular!


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