Terça-feira, 24 de Novembro de 2009
Memórias mais ou menos avulsas de três dias em Paris

Esta estante e estes livros estiveram à minha cabeceira nestes dias em que morei no estúdio do meu amigo fotógrafo, que também faz sapatos exclusivos e ultra-criativos. O mais divertido está pousado no cimo da prateleira: um sapato em forma de barbatana, que já foi fotografado para uma produção de moda.

É giro habitar um atelier de artista onde tudo remete para mundos diferentes do habitual. Não quero devassar a intimidade de ninguém e, por isso, abstenho-me de publicar outras fotos eloquentes da produção e instalação de peças e obras de arte. Deixo apenas dois detalhes nesta sequência de memórias de três dias bem vividos.

No sábado fomos ao Carroucel do Museu do Louvre ver a Paris Photo, a maior exposição de fotografias do mundo onde há de tudo: fotógrafos consagrados, talentos emergentes, galeristas conceituados e expositores amadores. Escrevi uma crónica para o i de ontem sobre esta exposição porque na realidade ela representa uma espécie de volta ao mundo em fotografias. Valeu a pena termos ido.

No meio dos corredores encontrámos alguns amigos e tem graça esta certeza de estarmos todos ligados e o mundo ser uma 'aldeia'. Primeiro chegou o Eric Giriat, ilustrador da revista Psychologies que assino há quase uma década. Há uns anos troquei mails com o Eric mas nunca o tinha conhecido pessoalmente.

O Eric tem um humor inteligente e um olhar permanentemente atento aos detalhes. Percebe-se de onde vem o talento para a ilustração... não lhe escapa nada!

Ao fim de umas horas e depois de termos visto todas as galerias subterrâneas do Carroucel, voltámos à superfície para um brunch nas galerias do Louvre que dão para o largo do Museu e para a Pirâmide de Vidro. Este café é um acontecimento e parece que estamos num filme.

Adoro ver o movimento perpétuo das pessoas que passeiam ou se sentam nos bancos das praças. Podia ficar horas entretida a observá-las e a inventar uma história para cada uma...

Almoçámos com vista para a Pirâmide e depois despedimo-nos nas Galerias do Louvre. O Eric e o Benjamin continuaram na Paris Photo e eu e o Frederico (que está cada vez mais parecido com o Sean Penn!) fomos pelas ruas à procura de uns livros nas suas livrarias preferidas.

É gira a maneira como nestas livrarias se fazem notas que resumem o espírito dos livros e ajudam a perceber os autores. Em vez das habituais cintas com um enunciado de prémios ou com excertos do prefácio (quando há) são notas escritas à mão e colocadas com clips nas capas. Apetece imenso ler o que está escrito e, muitas vezes, fica também a apetecer comprar o livro.
Nestes três dias houve tempo para conversas demoradas, jantares em casa de outros artistas e encontros com realizadores de cinema e fotógrafos de sucesso vindos do Leste. Foi um tempo de privilégio que fica para sempre guardado na memória dos dias bem vividos. Agora estou de 'passagem' em Lisboa porque na sexta-feira volto a partir mas, desta vez, para uma longa viagem. Depois conto, porque este post já vai demasiado longo.
De Maggie a 24 de Novembro de 2009 às 02:20
Como é bom viajar! Ver e viver outros mundos! Não conheço Paris, mas há muita coisa nessa cidade que me fascina e a Laurinda tocou em dois desses pontos - o Louvre e a sua pirâmide de vidro e as inúmeras livrarias (com esse pormenor delicioso dos post its escritos à mão que desconhecia!).
Fantástica também a forma como partilha as emoções das suas viagens com quem por aqui decide passar.
Boas viagens!
De Andreia M. a 24 de Novembro de 2009 às 10:24
Que bela aventura! Paris é uma cidade fantástica, tenho sempre vontade de lá voltar. Os livros que comprou são eles próprios viagens que poderá fazer enquanto os lê.
Um beijinho
De Romina Barreto a 24 de Novembro de 2009 às 14:29
Laurinda querida, que inveja desses dias em Paris, que nem é das minhas cidades preferidas mas Paris é sempre Paris. Causa inveja (mas da boa) a qualquer um. Eu por exemplo fico roída de inveja (da má) quando alguém me diz que vai a Marraquexe ou à Tunísia ou que já foi ao deserto do Sahara... Abraços. :D
hummmm.... Inveja??? Bolas, eu sei que é um sentimento feio! Digamos: fico feliz por passar por isso e se lembrar de o partilhar com os seus patrícios.
Paris é, de facto, maravilhosa. Mas mostrado e acompanhado por um artista tem outra cor.
Continuação de óptimas viagens.
Abraceijos (Não sei traduzir para francês)
PS: Sabe tão bem ler com acentos :)
De Lurdes a 24 de Novembro de 2009 às 17:02
Laurinda,
Não tenho, em circunstância alguma, inveja de ninguém, mas deixe-me dizer-lhe que, depois de 1 semana no INSEAD, que deve ter sido alucinante como experiência, ficar em Paris!? Confesso que estou com um bocadinho de inveja!
Não vou a Paris à 9 anos. Fiquei com vontade de voltar…
Obrigada por ter partilhado todas estas emoções.
Abraço
Lurdes
De Joana Freudenthal a 24 de Novembro de 2009 às 18:37
Imagino que não consigas parar de dar Graças a Deus.
Fica-te bem o cabelo por esticar. Também...
Muitos beijinhos para ires armazenando para a viagem à outra face da Terra.
Joana
De concha a 24 de Novembro de 2009 às 20:16
Querida Laurinda!
Invejo-a, é claro! E sabe em quê ?No conseguir fazer da sua vida um filme excelente .Eu sei que tem as oportunidades mas também as cria com o modo como as integra no seu dia a dia .Esta poderia ser só uma ida a Paris onde frequentou um curso . No entanto conseguiu fazer desta experiência uma festa na sua vida e vejo-a sempre a ser assim e é este modo de estar em tudo que a faz feliz (porque se nota nas entrelinhas) e consegue fazer quase que vivamos consigo o mesmo.
Verdadeiramente fabuloso! E não vale ficar vaidosa...:)
Beijinhos e muito obrigada
Ao lê-la, fiquei com muitas saudades de voltar a Paris...
De sonia a 24 de Novembro de 2009 às 22:39
Eu não tenho um bocadinho de inveja, tenho um bocadão!!! Não vou a paris há 6 anos e sinto tantas saudades!!!! com este post fez-me recordar muitos bons momentos lá passados. que alegria :-)
Laurinda, peço desculpa por utilizar este meio como forma de comunicação mais pessoal.
A revista sábado publicou na sua última edição, a par dos rankings do hospital, uma reportagem que acompanhou a chefe das urgências do CHLN. Não deve ter tido oportunidade de ler mas esta reportagem denota uma imagem muito negativa da classe à qual pertenço, os enfermeiros.
A Laurinda conhece bem os hospitais e sabe que não há nem mais nem menos importantes. Todos somos membros de uma equipa com um só objectivo: cuidar aquele que está numa situação difícil e de maior debilidade.
Com formação, objecto, arte e ciências diferentes todos procuramos o melhor e não o que nos interessa. O artigo em questão utiliza termos como o médico ordena, manda, sendo o enfermeiro o submisso. Este é o arquétipo sempre presente. Será útil e positivo???
Conheço o NHS em Inglaterra e lá, os enfermeiros têm um papel mais reconhecido e também mais responsável. Porque será que mantemos esta rivalidade no nosso país?
Uma colega minha encetou esforços no sentido de usufruir do direito de resposta, o que foi negado com uma carta juridicamente perfeita mas com argumentos fracos, alegando que os enfermeiros querem protagonismo.
Não pedimos nem mais nem menos, mas que seja reconhecido o que é feito! É uma questão de justiça.
Aprendi desde a primeira aula que a enfermagem é a ciência e a arte de cuidar (Jean Watson) e que estamos 24 sobre 24 horas com os doentes mas ajudar pequenas grandes coisas (Walter Hesbeen)
Desculpe se fui longo mas sento que perceberá o que quero dizer.
Enviei um e-mail para o "i" no sentido de fazer um jornalismo pela positiva valorizando TODA a equipa de Saúde.
Sou membro do Núcleo de Gestão da COmissão Nacional de Estudantes de Saúde. Uma nova organização que visa desenvolver o conceito do cuidar interdisciplinar e que já organizou um Simpósio Mundial de Estudantes de Saúde. Estes assuntos preocupam-nos. Será que preocupam e interessam aos Media?
Um abraceijo, obrigado pela escuta e óptimas viagens!!!
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