Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Um serão de conversa com voluntários

 

 

Passa da uma da manhã e hoje a minha cabeça já está mais ou menos como esta fotografia desfocada mas não quero deixar de escrever um post antes de adormecer, até porque amanhã vou cedo para Peniche, para participar no Encontroversas, organizado pela CERCIPENICHE. Acabo de vir de um serão de conversa e partilha com um grupo de voluntários da Juventude Hospitaleira, que dão apoio a doentes mentais profundos.

 

 

A Rita, o Irmão José Paulo (que parte amanhã para Moçambique por tempo indeterminado), o João Nuno, a Helena e a Ana, são apenas alguns dos voluntários que esta noite falaram sobre a sua experiência, e sobre aquilo que os leva a dar o melhor de si e do seu tempo aos outros. O testemunho da Rita fica marcado para sempre e não posso deixar de lhe agradecer a força, a alegria e o sentido que nos deu a todos. O sorriso e a naturalidade com que partilhou situações difíceis em circunstâncias dolorosas, foram contagiantes e transformadores. Obrigada!

 

 

No fim do serão não podia faltar a fotografia de família (a primeira deste post é apenas uma brincadeira e foi o resultado do ensaio para o disparador automático!). Cada um dos presentes contou histórias de vida e revelou detalhes de um voluntariado muito exigente que devolve a dignidade a quem a perdeu (ou a quem nunca foi dada, pois há doentes mentais para quem muitos nem se dignam sequer olhar) e abre novas perspectivas de vida. Todos nós, os que fazemos algum tipo de voluntariado, sabemos que é infinitamente mais aquilo que recebemos do que o que damos, mas no caso da Juventude Hospitaleira, que trabalha em condições tão adversas e com pessoas tão estigmatizadas, a recompensa é ainda maior. Adorei este serão mas sabia à partida que hoje faria o meu dia. E fez!

 



publicado por Laurinda Alves às 01:21
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11 comentários:
De Rita a 12 de Novembro de 2009 às 03:14
Laurinda!

Eu, é que agradeço, o seu testemunho e simplicidade.
É incrível, como nos toca, como irradia aquela luz, aquela força!
Foi muito importante, para todos e também para mim, partilhar consigo, tanto.
Para sempre, e como sempre, continuo a seguir os seus passos e a acreditar neles a dar-lhes força.

Um grande Abraço!

Rita


De silvia a 12 de Novembro de 2009 às 08:54


De Marta Amador a 12 de Novembro de 2009 às 10:21
Sigo o seu blog já há algum tempo, mas nunca comentei, apesar disso, hoje ao ver a Rita num post seu, não posso deixar de aqui exprimir os sentimentos que me ligam à Ritinha . A Rita foi minha companheira do grupo de jovens da paróquia da Amadora e já nessa altura o seu espírito e a sua alma eram voltadas para a ajuda aos outros. Dona de uma ternura e compreensão proporcional ao tamanho (é uma mulher gigante em tudo) sempre foi um ombro companheiro e atento, disposta a ajudar o próximo e a amparar quem precisava. Não me surpreende que seja voluntária...que ajude sem esperar retorno, pois já na naquela altura a Rita desdobrava-se nas actividades da paróquia, fossem elas distribuir sopa dos pobres (como algumas vezes fizemos em conjunto) ou na confecção de cabazes de Natal e a sua distribuição È pena que não existam mais Ritas , por esse mundo fora...mas ainda bem que esta Rita é assim...


De Cristina Costa a 12 de Novembro de 2009 às 10:58
Laurinda,
A Rita é realmente uma pessoa especial. Conhecemo-nos na Formação de Animadores do Serviço da Juventude da Diocese de Lisboa, onde eu era animadora. Foi nesse 1º ano que a minha vida também deu uma volta completa e ela foi uma das pessoas que me transmitiu uma coragem e fé surpreendentes.
Também ela tem um blog que vale a pena visitar! Desculpa Rita, dar-te assim a conhecer, mas vale(s) a pena! http://www.os-olhos-da-alma.blogspot.com/
Obrigada, Laurinda, pois dá-nos a conhecer tantos projectos maravilhosos que subsistem graças à entrega determinados de tanta gente anónima.
Fico mais optimista quando a leio a si e outros como a Rita!
Um grande abraço
Cristina Costa


De Joana Freudenthal a 12 de Novembro de 2009 às 18:24
Parabéns a estes jovens!
Aqui deixo a minha admiração pelo vosso serviço tão necessário e tão corajoso.

Um abraço forte.

Joana


De Augusto Küttner de Magalhães a 12 de Novembro de 2009 às 20:20
Laurinda

Como doente, que tenho sido – em ambulatório – há uns meses no Hospital da Prelada, dá para muito ver, muito sentir, muito estar. Os Voluntários, que tenho visto são de um carinho para com os pacientes, que muitas vezes nada mais querem que alguém que os ouça! E é muito! Beber um copo com água, acompanhado de um carinho........
Quando se está num grande espaço deitado numa maca, com dores a ser bem-tratado, e temos junto de nós, mais 99 iguais a nós, ao fim de algum tempo, vamos-nos conhecendo, vamos sabendo os nomes uns dos outros – o Nuno, a Jona, a Isabel, o João, o Carlos, o Roberto, os males que ali nos fazem estar. Não direi que é uma comunidade de sofrimento, seria a pior frase possivel, seria estúpido da m/ parte, é uma comunidade de cumplicidade, num mesmo objectivo, ficar-se bom, ficarmos bem melhores.
E há de tudo, de tudo: queimados, Pessoas sem membros, muitas Pessoas das mass diversas idades vitimas de avc´s, muitos vitimas de acidententes de mota, paraplégicos, tetraplégicos e outros com capsulites adesivadas...... Estamos ali todos despidos, além a roupa, dado que os terapeutas têm evidentemente que ter acesso directo ao nosso corpo , despedidos de preconceitos, de pergaminhos, de idades, estamos unidos.
Poucas vezes – e já dei muitos tombos em situações das mais diversas na vida...- senti uma tão forte união, na dor, pela dor, para a cura.
Estamos, somos iguais.
Ficamos satisfeitos se o vizinho de maca, vai melhor. Ficamos chocados quando algo corre menos bem. Emocionamo-nos, rimos, sofremos, tudo em simultâneo, tudo numa mesma união. A vontade é estar bem, mas não só nós, o outro também, e se se vê o outro hoje melhor que ontem é tão confortável...é tão bom. É bonito ver o sorriso de alguém que ontem só tinha dores....

Um beijo

Augusto


De Sandra Morato a 12 de Novembro de 2009 às 21:57
Olá Laurinda. Conhecemo-nos hoje no Encontroversas , onde a Laurinda moderou o Painel I e eu fiz a ultima intervenção do público. Foi de facto pena não termos podido conversar muito mais, mas gostei imenso das breves ideias que trocámos. Quem sabe se o destino não nos cruza, numa dessas quaisquer encruzilhadas da vida. De facto o EncontroVersas é um espaço de conversas inacabadas e muito ficou ainda por dizer, mas decerto teremos nova oportunidade de trocarmos ideias. Bem Haja. Sandra Morato . Peniche


De Ana Isabel Silva a 13 de Novembro de 2009 às 08:33
OBRIGADA NÓS, Laurinda! :)

Imaginem gestos macios, sorriso doce e um genuíno interesse pelo outro. E se a isto juntarmos o poder transformador das suas palavras, então, estamos perante a Laurinda!

Obrigada pelo momento de partilha.

Como costumo dizer:
O que há de mais belo e valioso na vida é gratuito...
Não se pode exigir, comprar ou roubar...
Pode-se apenas receber...
E partilhar!

Ana, a morena! ;)



De João Nuno a 13 de Novembro de 2009 às 21:01
Com um gesto de ternura e com a brandura dos sentimentos, agradeço o fantástico serão que também fez o meu dia!
Obrigado Laurinda pela partilha; pela forma doce como acalenta e acredita. Pela coragem e capacidade de iniciativa; pela simplicidade das palavras.
Deixei-lhe ontem um e-mail que, quando puder, gostava que visse.
Não mude...faz toda a diferença!
Obrigado por tanto!
João Nuno


De Rita a 12 de Fevereiro de 2010 às 02:32
Querida Laurinda!

O meu pai, já partiu.

Consegui que fosse velado no Telhal, o local onde faço voluntariado e encontro paz.
Amanhã seguimos para a sua bonita terra, no Alentejo , Mourão, onde queria ser enterrado.
Relembro sempre e ainda mais num momento como este o seu testemunho. A sua força.

Um abraço,

Rita.


De Laurinda Alves a 12 de Fevereiro de 2010 às 17:08
Rita querida, muito querida, um abraço demorado, apertado, neste dia. Obrigada pela confiança e pela partilha. Acima de tudo agradeço o seu testemunho de força e a alegria que nos contagia a todos. Tenho a certeza de que o seu pai foi um pilar desta mesma confiança e alegria que emanam de si e me tocaram naquele serã em que conversámos sobre o voluntariado com pessoas com perturbações mentais. Um beijinho. Estou consigo!


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