Domingo, 8 de Novembro de 2009
Tudo o que aprendi sobre a vida e o amor foi com o fogo

 

Eis uma frase de um grande pensador contemporâneo. Enzo Bianchi, que passou quase vinte anos da sua vida sem luz eléctrica, a manter um fogo aceso, diz que as horas que passou diante do fogo, em contemplação e  meditação, lhe mostraram quem é Deus e lhe ensinaram os fundamentos do amor e da vida. Olhar em silêncio para as chamas pode ser um acto de introspecção e um momento de elevação do pensamento. Há qualquer coisa que nos transcende na maneira como a matéria arde e as coisas se incendeiam. Jean Cocteau, outro pensador porventura menos místico que Bianchi, não sei bem, respondeu a alguém que lhe perguntava o que salvaria num incêndio em sua casa: "Salvaria o fogo! ". Um e outro dão que pensar. Um fogo que arde nunca deixa ninguém indiferente, seja pela tragédia que provoca, seja pela possibilidade de renovação ou pacificação.

 



publicado por Laurinda Alves às 23:12
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6 comentários:
De Piquenina a 8 de Novembro de 2009 às 23:36
Querida Laurinda,

só um pequeno apontamento que o fogo é algo trabalhoso e difícil de simular em computador.

quanto à reflexão que faz é só passando pelo fogo que se pode moldar alguns materiais ou até extrair aromas. mas que doi, isso ninguém duvida.

bjinhos e boa semana.
Piquenina


De concha a 9 de Novembro de 2009 às 00:06
Olá Laurinda!
Excelente esta afirmação!
Sem reservas, também afirmo que "tudo o que aprendi sobe a vida e o amor foi com o fogo".No meu caso, não com aquele fogo que aquece mas com o fogo que transmuta e renova .
Beijinho e boa semana


De vitoscano a 9 de Novembro de 2009 às 15:56
http://www.youtube.com/watch?v=DdZx1oIgAHk&NR=1 de modos que têm 6 anos.


De rosalina a 9 de Novembro de 2009 às 18:10
Quando voltei à cada de família, onde há uma lareira de granito construida pelo meu avô, passei 1 semana inteira sentada a ver o fogo arder. Nada nem ninguém conseguia acalmar o frio e a dor que eu sentia e perdura ainda. Estar àquela lareira salvou-me de ideias terríveis e conseguiu, pelo menos em parte, minorar a desolação em que eu estava. Com o fogo aprendi que o amor nos engana porque se faz em cinza, nos queima para depois nos deixar escuros e apagados. Mas com aquele fogo naquela lareira senti um calor que não julgava possível e me aqueceu o coração.


De frioleiras a 9 de Novembro de 2009 às 23:26
Para mim..... ouvir Bach é um encontro com Deus, comigo e com a essência da Vida porque não é matéria.

O fogo, com toda a mística, força ou magia que possa ter, poderá também trazer conotações que por vezes poderão levar à parte podre da vida, à parte negativa e destruidora da vida.

Com Bach, isso não acontece e a elevação em que nos envolve Transporta-nos (com um T grande...) à divindade ... a Deus.......................


De Lisboa na ponta dos dedos a 10 de Novembro de 2009 às 11:54
querida Laurinda não imaginas a beleza com que acolho este post . Lindo, adorei e obrigada por partilhares sempre as tuas emoções tão elevadas. :-)


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