Hoje foi dia de abrir o correio que se acumula em pilhas e
pilhas inimagináveis criteriosamente distribuídas por certos
cantos da casa. Normalmente são os cantos que não estão
à vista porque me embaraça olhar para as cartas e postais
aos quais não consigo dar resposta nem sequência. Com
os mails também em cúmulo, mais as mensagens a que
não consigo dar vazão e ainda as coisas do dia a dia, mais
as idas a mil e um encontros, conferências e debates onde
me convidam a participar, confesso que tenho fases em que
me apetecia fechar os olhos, adormecer e pedir para só me
acordarem em 2012. Vivo com esta frustração permanente e
esta sensação de chegar ao fim dos dias com mais coisas
por fazer do que aquelas que ficaram feitas. Sei que não sou
a única e, daí, o meu desabafo aqui. Hoje abri finalmente um
pacote enviado de Coimbra por Jorge Biscaia, grande amigo
e uma referência essencial em matéria de Bioética e Pediatria.
O pacote continha o seu novo livro de reflexões sobre questões
ligadas a pais, filhos e afectos. Nesta colecção de textos que já
folheei há excelentes dissertações de Jorge Biscaia e ainda de
outros dois grandes humanistas deste século: Isabel e Michel
Renaud. Apetece-me parar tudo, sentar-mo no meu canto onde
gosto de ler com tempo e ficar a saborear artigo por artigo. Que
bom existirem pessoas como Jorge Biscaia e o casal Renaud!
Nota: O livro tem o título "A que Pais têm os Filhos direito" e foi
editado pela Gráfica de Coimbra. Conhecendo os autores como
conheço garanto que é um dos melhores livros destes tempos!
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