Uma das minhas crónicas de hoje no jornal Público é sobre esta breve conversa entre Nicolai Lugansky, pianista russo, e o meu filho. Escrevi sobre este momento por ter sido uma experiência marcante para nós e por revelar a sensibilidade humana de um dos maiores pianistas da actualidade. No fim de um concerto absolutamente maravilhoso, em que voltou três vezes ao palco para tocar mais três peças sublimes, Nicolai Lugansky estava exausto mas, mesmo assim, recebeu meia dúzia de admiradores que queriam muito conhecê-lo. Tivemos a sorte de estar entre este grupo de privilegiados e mais, o meu filho que tem uma verdadeira devoção por Rachmaninoff e pela maneira como Lugansky toca toda a sua obra, teve o supremo prazer de não só lhe apertar a mão como poder ficar à conversa por breves minutos. Apesar de estar visivelmente cansado, Nicolai Lugansky manteve a mesma elegância que revelou quando estava ao piano, e falou sem pressas enquanto ia bebendo uma cerveja retemperadora. Na altura perguntei se podia filmar e ele disse que sim com um sorriso muito acolhedor e simpático. Demorei algum tempo a ter coragem para perguntar ao Martim se podia pôr aqui o vídeo porque o conheço bem e sei que tem pudor em se mostrar, mas convenci-o (julgo eu) com o argumento de que ele se vê pouco e, para mim, era importante revelar esta atitude de Nicolai Lugansky que apesar de ser uma lenda viva e um dos melhores pianistas do mundo, tem tempo para estar com os que querem estar com ele. Aqui fica o vídeo e esta petite histoire num dia em que em Portugal me dedico ao que ouvi de Lugansky enquanto em Espanha me dedico a ouvir alguns dos melhores especialistas do mundo em Cuidados Paliativos. Tudo neste post é uma breve conversa entre parêntesis, portanto.
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