Hoje o Diogo Vasconcelos faria 44 anos e não posso deixar de celebrar também aqui este dia e a sua vida. Por tudo, e também porque é a ele que devo este blog. Já o disse e não vale a pena repetir-me. Aqui fica a minha memória de um amigo que faz falta aos seus amigos, de um homem que faz muita falta à sua querida mulher, aos seus pais queridos, à sua família, a quem ele mais amava e mais o amou. O Diogo era e continuará a ser uma pessoa que faz falta ao país e que fazia a diferença no mundo.
Uma pata e quatro patinhos cruzaram-se no meu caminho esta tarde, nos jardins da Gulbenkian. Durante o instante em que nos acompanhámos uns aos outros não pude deixar de atrasar o passo, para evitar que se assustassem e fugissem. É tão improvável um encontro destes no centro da cidade, que apetece fazê-lo durar. Este momento já teria feito a minha tarde, se não fosse um encontro maior, mais à frente, já a caminho do 'planeta' Dialogue Cafe.
O Mia Couto estava a dar uma entrevista na Fundação Calouste Gulbenkian e desafiei-o a ir ter comigo depois à sala 3, a sala do Dialogue Cafe, onde está instalado o sistema de Telepresença da Cisco e onde me sento sempre que estou na Fundação. Este espaço é mais do que um sonho e no tempo em que não há sessões de DC, reina um silêncio e uma paz muito inspiradores para trabalhar. Esta tarde o privilégio maior foi poder explicar ao Mia o sistema do DC e combinar com ele uma sessão para breve. Grande pinta e grande surpresa.
Faz-me bem visitar o blog da Mariana Sabido porque está sempre cheio de beleza, de alegria, de amor e laços de ternura. Nestes tempos de ressaca e day after é bom recomeçar a partir destas janelas que a Mariana abre para a vida.
A homenagem ao Bernardo Sassetti na Basilica da Estrela foi um momento inesquecível para todos os que estivemos presentes. Pedro Burmester e Mário Laginha tocaram com lágrimas e dor, paixão e entrega, algumas composições felizes do Bernardo. Muito comovente. A orquestra, os coros e os músicos da família que tocaram e cantaram com inspiração foram igualmente sublimes. A Basílica desabou em palmas durante longos minutos. Uma eternidade. O Bernardo encheu as nossas vidas de vida. E de música, claro. No fim encontrei uma família de amigos também eles muito próximos da família do Bernardo, que me passaram o link de uma entrevista que eu própria fiz ao Bernardo em 2006, na XIS. Aqui fica, mais um vídeo do Bernardo a tocar a música que compôs para o filme Alice. http://www.publico.pt/Cultura/seria-muit
Bernardo, meu amigo muito querido, obrigada por tudo o que nos deste, que foi tanto e durante tantos anos. Obrigada pelo piano tocado para nós, por nós. Obrigada pela generosidade sempre, pela alegria dos momentos mais e menos musicais vividos entre amigos, pelas conversas todas, pelo entusiasmo pelas ideias de cada um, pela confiança em nós, pela originalidade do teu olhar, pelo desenho oferecido de um código de barras com música pintado com tinta da china. Obrigada pela maneira como ouvias e ensinavas a ouvir, por tudo o que aprendemos contigo, através de ti. Continuas no nosso coração até ao fim dos tempos. Em nossa casa passou a haver piano e mais música por causa de ti.
Inaugurei hoje a 'minha' sala do Dialogue Cafe, na Fundação Gulbenkian, com uma ligaçao Lisboa/Cleveland, Ohio, sobre crianças com necessidades educativas especiais. Do lado de lá a Wendy e a Taan Saphiro, falaram de projectos com crianças cegas no Uganda; do lado de cá Miguel Palha, neuropediatra do desenvolvimento e especialista no acompanhamento a portadores de Trissomia 21, mais duas mães de crianças com T21 que são muito activas e multiplicam talentos e esforços nestas áreas da integração e valorização da diferença. A Francisca Prieto e a Marcelina Souschek criaram projectos admiráveis que apoiam o Centro Diferenças, mas também contribuem para mudar mentalidades e transformar o olhar sobre estes e outros handicaps. Durante mais de uma hora estivémos todos sentados à volta da mesa numa intensa partilha de conhecimentos e experiências. Esta troca só foi possível graças ao sistema de Telepresença da Cisco, a ferramenta ideal para ligar pessoas de todo o mundo e de todas as áreas, para passar palavra e fazer a diferença nos universos em que gravitamos e temos influência. É fascinante perceber como nestas sessões de Dialogue Cafe as pessoas se conhecem e dão a conhecer, como vibram com as ideias umas das outras e como sentem que de certa forma passam a estar próximas. Ouvir a Taan falar do que vive e experimenta no Uganda, com crianças com handicaps físicos e outros, deixou-nos a todos mais conscientes daquela realidade, mas também mais certos de estarmos todos a contribuir para um mundo melhor. Os ecos de Cleveland chegaram logo a seguir ao Dialogue Cafe e tal como a Wendy disse, mais do que uma partilha de ideias e experiências, este DC selou o início de uma amizade. A partir destas conversas inaugurais, muitas parcerias e ideias podem surgir nestas e noutras áreas, com estes ou outros protagonistas. Grande, grande pinta! Graças ao olhar visionário do Diogo Vasconcelos e do team Cisco/Aliança das Civilizaçoes/Nações Unidas/Gulbenkian o Dialogue Cafe vai revelando todo o seu potencial. Em breve volto ao tema para dizer quantos DC já há espalhados pelo mundo e como é que tudo isto se processa.
É giro andar pelos corredores e escadarias da Assembleia da República nos dias em que estão povoados de estudantes, de adolescentes que se sentam no chão, se derramam pelos sofás e usam o espaço como se estivessem em casa. A escala monumental dos átrios e claustros fica ainda mais humana, instantaneamente mais alegre e mais vivida. Acho que os políticos também devem gostar deste suplemento de vozes e risos que entram na sua esfera quando chegam os alunos das escolas que visitam a AR.
Neste Dia da Mãe, de todas as mães do mundo, deixo o fragmento de um poema de amor de Isabel Monteiro, do seu livro Mãe Sem Fronteiras, que adapto ao amor que sinto pela minha Mãe e transformo numa dedicatória, que também é uma síntese:
E vieste
E ficaste
A envolver
A minha vida inteira

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